sexta-feira, 29 de maio de 2026

Da Operação Catarata à Compliance Zero, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Ex-governador do Rio, Cláudio Castro é suspeito de roubar de mendigo, aposentado e pagador de impostos

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é suspeito de participar de esquemas fraudulentos que surrupiaram dinheiro de mendigos, aposentados e pagadores de impostos em geral.

As suspeitas sobre sua conduta começaram na Operação Catarata, do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil, em 2019, e na Operação Sétimo Mandamento, deflagrada pela Polícia Federal, em 20 de dezembro de 2023.

Já naquela época, os investigadores apuravam pagamento de propina a Castro e seu grupo político para direcionamento de licitações na Fundação Leão XIII entre 2017 e 2020, quando ele ainda era vereador e vice-governador. As suspeitas eram de desvios que chegavam a R$ 70 milhões.

A Fundação Leão XIII é o órgão do Estado que distribui cestas básicas, presta atendimento médico e odontológico à população de rua do Rio de Janeiro.

Havia vídeos, fotos, delações premiadas. Alegando problemas na condução do caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) encerraram as investigações.

Castro foi de vice-governador a governador em abril de 2021, quando Wilson Witzel acabou afastado do cargo. Conforme ele avançava no núcleo do poder carioca, também subiam as cifras da suposta corrupção.

Na oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada neste mês, a PF investiga aportes de R$ 3 bilhões pelo Rioprevidência em fundos do encrencado Banco Master.

Enquanto Castro jantava carne com folhas de ouro em Nova York e bebia Champagne Don Pérignon e vinho Vega-Sicilia com Daniel Vorcaro, o prejuízo ficava com os aposentados do Rio de Janeiro.

Vorcaro não é o único empresário inescrupuloso do qual Castro é amigo. As investigações da PF apontam também que o ex-governador publicou leis e nomeou secretários para favorecer o grupo Refit. Por isso, foi alvo da Operação Sem Refino, também neste mês.

Uma das leis de parcelamento de ICMS é tão generosa que ganhou o nome de “lei Ricardo Magro”, dono da Refit que hoje está na lista da Interpol. Neste caso, perdem todos os pagadores de impostos, já que esse dinheiro poderia ser investido em hospitais, escolas e segurança pública.

Diante do desgaste, Castro, que já estava inelegível, desistiu ontem formalmente de insistir e concorrer ao Senado na chapa do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Sua defesa nega as acusações, mas, se as suspeitas se provarem verdadeiras, seu lugar é em Bangu. •

 

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