O Estado de S. Paulo
Ex-governador do Rio, Cláudio Castro é suspeito de roubar de mendigo, aposentado e pagador de impostos
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio
Castro é suspeito de participar de esquemas fraudulentos que surrupiaram
dinheiro de mendigos, aposentados e pagadores de impostos em geral.
As suspeitas sobre sua conduta começaram na Operação Catarata, do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil, em 2019, e na Operação Sétimo Mandamento, deflagrada pela Polícia Federal, em 20 de dezembro de 2023.
Já naquela época, os investigadores apuravam
pagamento de propina a Castro e seu grupo político para direcionamento de
licitações na Fundação Leão XIII entre 2017 e 2020, quando ele ainda era
vereador e vice-governador. As suspeitas eram de desvios que chegavam a R$ 70
milhões.
A Fundação Leão XIII é o órgão do Estado que
distribui cestas básicas, presta atendimento médico e odontológico à população
de rua do Rio de Janeiro.
Havia vídeos, fotos, delações premiadas.
Alegando problemas na condução do caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e
o Supremo Tribunal Federal (STF) encerraram as investigações.
Castro foi de vice-governador a governador em abril de 2021, quando Wilson Witzel acabou afastado do cargo. Conforme ele avançava no núcleo do poder carioca, também subiam as cifras da suposta corrupção.
Na oitava fase da Operação Compliance Zero,
deflagrada neste mês, a PF investiga aportes de R$ 3 bilhões pelo
Rioprevidência em fundos do encrencado Banco Master.
Enquanto Castro jantava carne com folhas de
ouro em Nova York e bebia Champagne Don Pérignon e vinho Vega-Sicilia com
Daniel Vorcaro, o prejuízo ficava com os aposentados do Rio de Janeiro.
Vorcaro não é o único empresário
inescrupuloso do qual Castro é amigo. As investigações da PF apontam também que
o ex-governador publicou leis e nomeou secretários para favorecer o grupo
Refit. Por isso, foi alvo da Operação Sem Refino, também neste mês.
Uma das leis de parcelamento de ICMS é tão
generosa que ganhou o nome de “lei Ricardo Magro”, dono da Refit que hoje está
na lista da Interpol. Neste caso, perdem todos os pagadores de impostos, já que
esse dinheiro poderia ser investido em hospitais, escolas e segurança pública.
Diante do desgaste, Castro, que já estava
inelegível, desistiu ontem formalmente de insistir e concorrer ao Senado na
chapa do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Sua defesa nega as
acusações, mas, se as suspeitas se provarem verdadeiras, seu lugar é em Bangu.
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