Folha de S. Paulo
Elaborada em 2024, PEC da Segurança está
travada por Alcolumbre no Senado
Espetáculo das matanças não altera ocupação
de territórios no Rio, que só cresce
Ao olhar para ruas e esquinas do bairro onde vivem, 41% dos brasileiros notam a presença de criminosos envolvidos com tráfico ou milícias. No Rio, a exploração de serviços de internet por bandidos alcança 37 municípios. São dados de um cotidiano desesperador. Ninguém pode garantir que, nos próximos levantamentos sobre o avanço das facções no país, haverá diminuição ou controle do perigo que mora ao lado.
Professor da Universidade de Chicago
especialista no tema, Benjamin Lessing acertou na mosca ao dizer, em entrevista
à Folha, que o aumento da criminalidade resulta de escolhas políticas.
Decisões desastrosas, acrescento eu.
A PEC da Segurança, por exemplo. Apesar de
escolher o caminho certo, não consegue superar impasses eleitoreiros e
particulares. A proposta aumenta a participação do governo central, amplia o
financiamento ao setor e promove maior integração entre os entes federativos.
Começou a ser elaborada em 2024. Desde o
início enfrentou a resistência de governadores de direita. Enviada ao Congresso
em abril de 2025, só foi aprovada na Câmara em março de 2026. Está travada
no Senado,
à espera de uma decisão de Davi
Alcolumbre, mais inclinado a impedir investigações sobre o Banco
Master —que, não por acaso, funcionava como organização criminosa.
A cinco meses das eleições, o Planalto acena
com um pacote de R$ 11 bilhões destinados ao combate do tráfico de armas e à
asfixia financeira de facções. Ótimo, mas por que Lula não se mexeu antes?
Em São Paulo, o caso Gritzbach deixou
evidente que a polícia está migrando para o lado do PCC. Só Tarcísio não viu.
No Rio, Cláudio
Castro admitiu que não tinha força para recuperar territórios
ocupados. Sua paixão era o espetáculo das matanças, para garantir votos.
De todas as escolhas, a mais suspeita foi a
de Flávio
Bolsonaro, que homenageou milicianos e assassinos de aluguel. Em
seus planos para a Presidência, ele projeta um repeteco do pai, flexibilizando
porte e registro de armas. Já deu errado uma vez, mas e daí?
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