Folha de S. Paulo
Livro conta a história da Carta dos EUA, que
se destinava a regular o uso de terras
Adaptabilidade é ao mesmo tempo o ponto forte
e a vulnerabilidade da Carta
Uma boa pedida para quem quer entender melhor o que acontece nos EUA é "The Making & Breaking of the American Constitution", do historiador Mark Peterson (Yale). Para Peterson, constituições são métodos para administrar a riqueza de um país, daí que ele começa sua obra sobre a história constitucional americana com a batalha de Hastings na Inglaterra de 1066. Gerir riqueza, tanto na Inglaterra do século 11 quanto nos EUA do 18, era regular o uso das terras agricultáveis.
Inicialmente, a Constituição inglesa,
não escrita, se prestou bem para administrar as 13 colônias originais dos EUA.
Até que deixou de funcionar. A população crescera, e os americanos queriam
tomar as terras dos indígenas a oeste dos Apalaches, coisa que os ingleses
haviam proibido. Junte a isso impostos que os contribuintes julgavam
escorchantes e você obtém uma
revolução.
Inicialmente, a Constituição escrita dos
americanos funcionou. Até que deixou de funcionar. Deu certo enquanto se
tratava de administrar um país agrário que podia se expandir de forma quase
ilimitada. Mas, à medida que o país foi se industrializando e se tornando mais
complexo, os limites daquele documento enxuto foram se revelando. Só que a
Carta era e permanece muito difícil de modificar —maioria de 2/3 nas duas Casas
e ratificação por 3/5 dos estados.
Os políticos logo descobriram que podiam
forjar maiorias políticas e governar mesmo sem formalizar emendas. A
Constituição funcionava porque não funcionava. Mas, à medida que o tempo
passou, mais distorções foram se acumulando. Um exemplo? A Constituição dá
apenas ao Congresso o poder de declarar guerras, mas desde Truman em 1950,
todos os presidentes autorizaram o uso de força militar no exterior sem aval
prévio do Congresso.
Essa adaptabilidade é tanto o ponto forte dos
EUA, que sempre conseguiram se adequar a novos tempos, como seu ponto fraco, já
que torna o país presa fácil para maiorias dispostas à depredação
institucional.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.