Folha de S. Paulo
Aproveitando-se da distração geral com o
escândalo da vez, a Câmara voltou a legislar em prol dos seus
Na essência, a proteção aos partidos é
semelhante à tentativa de blindar parlamentares de ações da Justiça
Distraído que estava o público com o
escândalo da vez, a Câmara dos
Deputados voltou a fazer o que mais gosta: legislar em prol dos
seus. E, de novo, com o método de sempre.
À sorrelfa, no de repente da urgência conveniente, em votação simbólica os deputados aprovaram uma série de facilidades para os partidos, à qual deram o nome de minirreforma do sistema que rege as legendas. Não bastasse, determinaram que a coisa tenha vigência imediata, atropelando a regra de anterioridade anual.
Suas excelências não querem pouco.
Reivindicam teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a contabilidades
irregulares, dão 15 anos (!) de prazo para renegociação de dívidas, liberam os
infratores para participar de eleições e os deixam à vontade para fazer disparos
(inclusive os ilegais, via robôs) de mensagens por celulares.
Uma rede de proteção na essência nada
diferente daquela tentativa de aprovar uma emenda constitucional que deixaria
os parlamentares fora do alcance da Justiça. A PEC da
Blindagem foi barrada no Senado por
pressão da opinião pública.
Desta vez, se não houver uma grita geral, a
estrovenga vai passar pelos senadores cujos partidos se beneficiam dela. O
caminho é facilitado por um acordo entre Câmara, Senado, governo e oposição
para a derrubada de veto presidencial a dispositivo da Lei de Diretrizes
Orçamentárias e, assim, permitir doações de bens e dinheiro durante a campanha
eleitoral.
Trata-se de um canavial de malandragens sob a
égide da ilegalidade e da desfaçatez de um Poder Legislativo hipertrofiado —e
que ainda pretende sair mais fortalecido desta eleição em que as legendas estão
especialmente empenhadas em obter o maior número possível de cadeiras no
Parlamento.
Com esse tipo de credencial, os congressistas
não estimulam a sociedade à participação ativa na composição das Casas
legislativas. Ao contrário: alimentam o distanciamento decorrente da repulsa
aos procedimentos que servem ao domínio financeiro das direções partidárias
viciadas no sustento do Estado.

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