O Globo
"Nada ficou provado contra mim",
diz João Caldas, barrado pela Lei da Ficha Limpa em 2022; ex-deputado compara
novo pré-candidato a Neymar
Morreu por falta de votos a candidatura
de Aldo
Rebelo ao Planalto. Sem alcançar 1% nas pesquisas, o ex-comunista foi
rifado pelo Democracia Cristã. O presidente da sigla, João Caldas, recorre ao
futebol para explicar a decisão: “Seu time está perdendo e tem um perna de pau
em campo. Você deixa ele lá ou chama o Neymar, que está no banco?”.
O Neymar do DC é Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo. A exemplo do atacante do Santos, seu maior trunfo é o passado. O auge da popularidade foi em 2012, no julgamento do mensalão.
Há oito anos, Barbosa ensaiou disputar a
Presidência pelo PSB. Desistiu alegando razões pessoais. “Ele viu que tinha
gente puxando o tapete. Aqui isso não vai acontecer. Joaquim é uma
u-na-ni-mi-da-de”, diz Caldas, recitando uma sílaba por vez.
O DC era o partido de Eymael, nanico que
disputou seis eleições presidenciais. Sua aposentadoria abriu caminho para
Caldas, ex-deputado alagoano. Em quatro décadas na política, ele já passou por
PMDB, PMN, PL, PSDB, PEN e União Brasil. Convenceu-se de que o eleitor não dá a
mínima para o troca-troca.
“O povo não escolhe partido, escolhe
candidato. O Collor foi eleito pelo PRN e o Bolsonaro pelo PSL”, lembra.
Questionado se Barbosa também usaria o figurino de salvador da pátria, ele
desconversa: “Nada a ver. O Joaquim é preparadíssimo!”.
Segundo Caldas, o ex-ministro teria o perfil
certo para pilotar uma República desgovernada. “Qual é a lei que vale no
Brasil? Só a do jogo do bicho, onde vale o escrito”, ironiza. “O país está uma
bagunça, e ele vai botar ordem na bagunça”, promete.
Apesar do entusiasmo, o Ancelotti do DC não
sabe dizer se seu Neymar tiraria votos de Lula ou
de Flávio
Bolsonaro. “Aí eu teria que ser um palpiteiro. Mas, quando a gente mostra a
foto dele, o povo vibra como se fosse gol”, empolga-se.
Doze anos depois de pendurar a capa preta de
ministro, Barbosa ainda tem a imagem associada à condenação dos mensaleiros.
“Tem uma turma aí com medo dele, né?”, provoca Caldas. O presidente do DC diz
não integrar esse time, embora já tenha sido condenado por corrupção no
escândalo da máfia dos sanguessugas.
Em 2022, ele tentou virar suplente de senador
e foi barrado pela Lei da Ficha Limpa. “Fui vítima de acusações levianas. Nada
ficou provado contra mim”, discursa. Por via das dúvidas, o ex-deputado não
deve ser candidato em outubro. “Meu projeto agora é trabalhar nas costuras. Vou
virar um office boy de luxo”, anuncia.

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