quarta-feira, 20 de maio de 2026

Flávio Bolsonaro não para de mentir, PL finge que acredita e centrão faz cara de paisagem, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Direita diz que vai esperar um mês de pesquisas antes de pensar em alianças

Gente do PL diz que candidatura está no lucro, pois cresceu cedo e tem gordura

A candidatura de Flávio Bolsonaro está no "lucro", diz gente do PL, partido do senador fluminense. O que quer dizer? Que o pré-candidato teve um desempenho melhor do que o esperado no início da pré-campanha, que empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas "muito precocemente" e, por isso, "está muito bem-posicionado".

Perdeu sete pontos no cenário em que vai para o segundo turno contra Lula e caiu para segundo lugar, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça, mas isso seria efeito passageiro de "espuma de narrativa" e "volatilidade normal de campanha". Os partidos que seriam aliados de Flávio Bolsonaro compartilham da opinião do PL? "Muita água vai passar por baixo da ponte" diz um chefe do PL.

Muita coisa está boiando nessa água que passa sob a ponte. Flávio Bolsonaro não para de mentir. Nesta terça, teve de admitir que foi discutir em pessoa o fim da relação ("DR, fim") com seu irmão Daniel Vorcaro. Afinal, não é bonito acabar uma relação por e-mail ou mensagem. Né.

Quase a cada dia surgem versões novas do relacionamento de Vorcaro com os Bolsonaro e a produção do filme de propaganda de Jair. Mais importante, ainda não sabemos como o tutu foi gasto e quais instrumentos foram utilizados para fazer o trânsito do dinheiro e das justificativas de quanto passou em cada conta, fundo, empresa. Teve sobra de caixa? Superfaturamento de custos de transação do tráfego dos recursos ou outros? Não é por acaso que gente como Vorcaro usa "fundo do fundo do fundo" para sumir com dinheiro.

Flávio Bolsonaro disse que vai apresentar as contas "em trinta dias", como aqueles prazos de esclarecimentos de acidente de avião, queda de ponte ou apagão. O vencimento da promessa seria em 18 de junho véspera do jogo do Brasil com o Haiti na Copa.

O pessoal do PL acredita que a "espuma da narrativa vai passar" até por causa disso, Copa, festa junina e, principalmente, porque apareceriam más notícias econômicas para o governo Lula: taxas de juros altas por mais tempo, criação de emprego "caindo".

Flávio Bolsonaro vai participar da Marcha para Jesus em São Paulo, no início de junho. "Vai mostrar", diz gente do PL, que não perdeu apoio de evangélicos, vários irritados com o escândalo Vorcanaro, assim como a dita "direita limpinha" e influencer (que, no entanto, faz menos de uma semana não se importava com o histórico de sujidades dos Bolsonaro).

O pessoal do centrão mal quer falar do assunto. Algumas lideranças dizem que prejuízos locais já estão dados. Alianças difíceis se tornaram inviáveis, mas não seriam lá tantas. Outros dizem que não há informação para falar ou agir. Isto é, vão esperar para ver até onde vai a onda atual de mentiras de Flávio Bolsonaro e "um mês de pesquisas" (para medir o tamanho do estrago). Mais importante, não haveria o que fazer porque não há alternativa visível, nem para agregar o antipetismo, e porque acordos não haviam sido fechados. Por fim, parte menor do centrão iria com Lula 4 mesmo, por conveniências regionais, e uma outra parte, menos comprometida com a extrema direita, pode mudar de barco a depender do grau de conveniência —expectativa de poder, desempenho nas pesquisas dos presidenciáveis ou o próprio desempenho do político, embora o escândalo novo de Flávio dificulte o cálculo do vira-casaca.

O motivo principal da inação, porém, é a falta de alternativa.

 

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