O Estado de S. Paulo
Moraes e Alcolumbre uniram forças para mostrar que petista depende deles para governar
O ministro Alexandre de Moraes e o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre, uniram forças e mostram ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que ele perdeu condições de governar e virou refém.
Depois de não emplacar um ministro para a
Suprema Corte em 132 anos com a derrota de Jorge Messias, a derrubada de veto
do PL da Dosimetria foi só mais um passo.
Moraes não perdoava Lula por ter dito que “quem quer enriquecer tem que sair do Supremo”, um sinal inequívoco de que o petista ameaçava soltar a mão do ministro em meio ao escândalo do banco Master.
Somado a isso, Messias deixou claro que era
contra o interminável inquérito das fake news e se aproximou do ministro André
Mendonça. Eram todas evidências da insatisfação de Lula com o estrago feito
pelo caso Master em sua campanha.
Os petistas sabem que alguma reforma do
Judiciário seria inevitável, mesmo em caso de reeleição de Lula. Moraes não
quis cair sozinho, afinal foi o Supremo que garantiu a governabilidade do
presidente durante todo seu terceiro mandato, quando o Congresso derrubava suas
medidas econômicas.
Moraes é muito próximo de Alcolumbre, e o
presidente do Senado também estava disposto a cobrar a fatura. Dado que o
Senado também segurava as pontas quando os deputados aprovavam projetos ruins,
sentiu-se no direito de tomar a prerrogativa presidencial de indicar um
ministro do STF.
Alcolumbre nunca engoliu a negativa de Lula
de não indicar Rodrigo Pacheco, em vez de Messias. Trabalhou na surdina e
intensamente. Conforme mapeamento do governo, conseguiu PP, União Brasil, PSD e
parte do MDB. Humilhou o governo, que não tem condições de reagir.
Contaram ainda com o surpreendente apoio de
Flávio Dino, que deve sua cadeira no Supremo a Lula e foi ministro do governo,
mas se deixou levar por rinha com Messias da época em que ambos disputavam a
vaga no STF. No campo petista, o ressentimento é grande.
Pessoas próximas a Dino e Moraes negam
qualquer articulação, mas, no Planalto, existe a convicção de que os dois
atuaram. Para essas fontes, Dino acreditava que Lula não deveria ter enviado o
nome de Messias e Moraes se absteve de atuar dada sua proximidade com
Alcolumbre.
O que importa agora, porém, é o
enfraquecimento do governo. Lula e Moraes partem para um abraço de afogados.
Sem se desvencilhar do ministro e do caso Master, Lula terá dificuldades de
atrair o centro e vencer a eleição. A derrota de Messias será, inclusive,
utilizada na campanha. Moraes pode até tentar se aproximar do précandidato da
oposição Flávio Bolsonaro (PL), mas a base bolsonarista nunca o perdoará. •

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