sexta-feira, 1 de maio de 2026

Um presidente sem governabilidade e refém, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Moraes e Alcolumbre uniram forças para mostrar que petista depende deles para governar

O ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uniram forças e mostram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele perdeu condições de governar e virou refém.

Depois de não emplacar um ministro para a Suprema Corte em 132 anos com a derrota de Jorge Messias, a derrubada de veto do PL da Dosimetria foi só mais um passo.

Moraes não perdoava Lula por ter dito que “quem quer enriquecer tem que sair do Supremo”, um sinal inequívoco de que o petista ameaçava soltar a mão do ministro em meio ao escândalo do banco Master.

Somado a isso, Messias deixou claro que era contra o interminável inquérito das fake news e se aproximou do ministro André Mendonça. Eram todas evidências da insatisfação de Lula com o estrago feito pelo caso Master em sua campanha.

Os petistas sabem que alguma reforma do Judiciário seria inevitável, mesmo em caso de reeleição de Lula. Moraes não quis cair sozinho, afinal foi o Supremo que garantiu a governabilidade do presidente durante todo seu terceiro mandato, quando o Congresso derrubava suas medidas econômicas.

Moraes é muito próximo de Alcolumbre, e o presidente do Senado também estava disposto a cobrar a fatura. Dado que o Senado também segurava as pontas quando os deputados aprovavam projetos ruins, sentiu-se no direito de tomar a prerrogativa presidencial de indicar um ministro do STF.

Alcolumbre nunca engoliu a negativa de Lula de não indicar Rodrigo Pacheco, em vez de Messias. Trabalhou na surdina e intensamente. Conforme mapeamento do governo, conseguiu PP, União Brasil, PSD e parte do MDB. Humilhou o governo, que não tem condições de reagir.

Contaram ainda com o surpreendente apoio de Flávio Dino, que deve sua cadeira no Supremo a Lula e foi ministro do governo, mas se deixou levar por rinha com Messias da época em que ambos disputavam a vaga no STF. No campo petista, o ressentimento é grande.

Pessoas próximas a Dino e Moraes negam qualquer articulação, mas, no Planalto, existe a convicção de que os dois atuaram. Para essas fontes, Dino acreditava que Lula não deveria ter enviado o nome de Messias e Moraes se absteve de atuar dada sua proximidade com Alcolumbre.

O que importa agora, porém, é o enfraquecimento do governo. Lula e Moraes partem para um abraço de afogados. Sem se desvencilhar do ministro e do caso Master, Lula terá dificuldades de atrair o centro e vencer a eleição. A derrota de Messias será, inclusive, utilizada na campanha. Moraes pode até tentar se aproximar do précandidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL), mas a base bolsonarista nunca o perdoará. •

 

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