O Estado de S. Paulo
Um memorando de entendimento para a
reabertura do Estreito de Ormuz parece prestes a ser assinado por EUA e Irã. O
acordo obedece às condições impostas por Teerã: liberação de depósitos
congelados no exterior, extensão do cessar-fogo por dois meses e adiamento da
negociação sobre o programa nuclear iraniano para uma segunda etapa.
Os Emirados Árabes Unidos teriam concordado em liberar até US$ 20 bilhões de depósitos iranianos retidos em bancos de Dubai, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters. Funcionários iranianos e dos Emirados teriam visitado Abu Dhabi e Teerã, respectivamente.
Trata-se de uma concessão importante,
considerando que o país é aliado de Israel, cujo governo se opõe ao acordo. Os
Emirados foram bombardeados por mísseis e drones iranianos, entre outros alvos,
no complexo portuário de Fujairah, terminal de oleodutos que escoa seu petróleo
diretamente no Golfo de Omã, sem passar pelo estreito.
A liberação dos recursos equivale a um
pagamento de proteção, já que a contrapartida é o compromisso do Irã de não
mais atacar os Emirados.
O Irã tem mais de US$ 100 bilhões em
depósitos congelados no exterior, com uma parte substancial em Dubai.
Em 11 de abril, uma autoridade iraniana
revelou que os EUA teriam concordado com a liberação de depósitos por bancos do
Catar, que tem intermediado as negociações. O governo americano negou a
informação na época. Tem havido negociações diretas também entre iranianos e
sauditas.
ESBOÇO. Ao longo da semana, o presidente
Donald Trump oscilou entre ataques contra alvos iranianos, depois da derrubada
de um helicóptero americano, ameaças de uma grande ofensiva e finalmente a
aposta em acordo iminente. Essas mudanças bruscas de Trump ocorreram dezenas de
vezes desde o cessar-fogo de 7 de abril. Ao contrário das outras vezes, o Irã
confirmou que um acordo agora está próximo.
A moldura das negociações para o acordo
nuclear está definida. O Irã aceita diluir os 441 kg de urânio enriquecido a
60% ou mais. Os EUA pressionam para que todas as 11 toneladas de urânio
enriquecido a qualquer teor sejam diluídas. Em troca, cederiam de sua exigência
para que o urânio fosse levado para os EUA.
Os americanos também exigem em princípio que
as três instalações nucleares – Fordow, Isfahan e Natanz – sejam desmanteladas,
enquanto o Irã pretende preservar uma delas. Um ponto de acordo seria trazer as
centrífugas para a superfície.
O prazo de moratória do programa é negociado entre 10 e 20 anos. Falta decidir o status final do Estreito de Ormuz, o conflito entre Israel e o Hezbollah e o fim das sanções americanas contra o petróleo iraniano.

Nenhum comentário:
Postar um comentário