domingo, 14 de junho de 2026

Acordo à vista no Oriente Médio, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Um memorando de entendimento para a reabertura do Estreito de Ormuz parece prestes a ser assinado por EUA e Irã. O acordo obedece às condições impostas por Teerã: liberação de depósitos congelados no exterior, extensão do cessar-fogo por dois meses e adiamento da negociação sobre o programa nuclear iraniano para uma segunda etapa.

Os Emirados Árabes Unidos teriam concordado em liberar até US$ 20 bilhões de depósitos iranianos retidos em bancos de Dubai, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters. Funcionários iranianos e dos Emirados teriam visitado Abu Dhabi e Teerã, respectivamente.

Trata-se de uma concessão importante, considerando que o país é aliado de Israel, cujo governo se opõe ao acordo. Os Emirados foram bombardeados por mísseis e drones iranianos, entre outros alvos, no complexo portuário de Fujairah, terminal de oleodutos que escoa seu petróleo diretamente no Golfo de Omã, sem passar pelo estreito.

A liberação dos recursos equivale a um pagamento de proteção, já que a contrapartida é o compromisso do Irã de não mais atacar os Emirados.

O Irã tem mais de US$ 100 bilhões em depósitos congelados no exterior, com uma parte substancial em Dubai.

Em 11 de abril, uma autoridade iraniana revelou que os EUA teriam concordado com a liberação de depósitos por bancos do Catar, que tem intermediado as negociações. O governo americano negou a informação na época. Tem havido negociações diretas também entre iranianos e sauditas.

ESBOÇO. Ao longo da semana, o presidente Donald Trump oscilou entre ataques contra alvos iranianos, depois da derrubada de um helicóptero americano, ameaças de uma grande ofensiva e finalmente a aposta em acordo iminente. Essas mudanças bruscas de Trump ocorreram dezenas de vezes desde o cessar-fogo de 7 de abril. Ao contrário das outras vezes, o Irã confirmou que um acordo agora está próximo.

A moldura das negociações para o acordo nuclear está definida. O Irã aceita diluir os 441 kg de urânio enriquecido a 60% ou mais. Os EUA pressionam para que todas as 11 toneladas de urânio enriquecido a qualquer teor sejam diluídas. Em troca, cederiam de sua exigência para que o urânio fosse levado para os EUA.

Os americanos também exigem em princípio que as três instalações nucleares – Fordow, Isfahan e Natanz – sejam desmanteladas, enquanto o Irã pretende preservar uma delas. Um ponto de acordo seria trazer as centrífugas para a superfície.

O prazo de moratória do programa é negociado entre 10 e 20 anos. Falta decidir o status final do Estreito de Ormuz, o conflito entre Israel e o Hezbollah e o fim das sanções americanas contra o petróleo iraniano.

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