Folha de S. Paulo
Messi já fez 18 gols em Copas. E daí? Quantos
jogos levou para chegar a essa marca?
Os grandes goleadores são o húngaro Kocsis e
o francês Fontaine; confira suas médias
Como diria Nelson Rodrigues, a imprensa teve espasmos de cachorro atropelado diante do 18º gol de Messi em Copas do Mundo. A julgar pelos gritos dos narradores e das manchetes, os gols do argentino contra a Áustria foram um momento da história, como o da fissão do átomo em 1938, da chegada do homem à Lua em 1969 e do sequenciamento do genoma em 2003. Ao fim da Copa, campeão ou não, Messi será desfilado pelos estádios numa bandeja de prata e com uma maçã na boca, para usar mais uma imagem rodrigueana.
Eu só me pergunto se essa suposta avalanche
de gols faz jus à realidade. Messi está
na sua sexta Copa do Mundo e levou 27 partidas para marcar os ditos 18. É uma
média de 0,59 gol por jogo, significando que, em praticamente uma a cada duas
partidas, foi para o vestiário com as mãos abanando. O alemão Klose,
que ele teria superado, marcou 16 gols em 24 jogos –média de 0,67, melhor que a
dele.
Quanto aos nossos artilheiros, fizeram melhor
ainda. Ronaldo,
em quatro Copas, marcou 15 gols em 19 partidas —0,79 gol por jogo. Pelé, também
em quatro, foi às redes 12 vezes em 14 partidas, numa média de 0, 86. E Vavá,
em duas Copas, nove gols em 10 partidas, média de 0,90. Nada mal, não?
Como temos por tradição esnobar o passado,
ignoramos que Ademir, o Queixada, marcou nove gols em apenas seis jogos na única
Copa que disputou, a de 1950, deixando a fabulosa média de 1, 50 gols. E que a
de Leônidas da Silva foi ainda maior: 1,60, por oito gols em cinco partidas nas
Copas de 1934 e 1938.
Mas vamos deixar a patriotada. Os artilheiros
na batata (mais uma de Nelson) são o francês Fontaine, 13 gols em seis partidas
em uma única Copa, a de 1958, com a já absurda média de 2, 17, e o húngaro
Kocsis, 11 gols em cinco partidas, em sua também única Copa, a de 1954 —2, 20!
Messi, meu chapa, supere isso.
Estamos falando de vetustas Copas, com a bola
pesando 500 gramas (contra os 400 gramas de hoje), zero de substituições e sem
pausas para hidratação. Pausas, só para a comemoração dos gols.

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