quarta-feira, 24 de junho de 2026

Banco Digimais assumiu consignados com militares da Aeronáutica, por Roseann Kennedy

O Estado de S. Paulo

Banco de Edir Macedo foi alvo de operação da PF; procurada, Força não respondeu

Aeronáutica tem um contrato até 2030 para crédito consignado com o Banco Digimais, que nesta terça-feira, 23, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e teve R$ 670 milhões bloqueados de investigados, a exemplo do dono da empresa e líder da Igreja Universal, Edir Macedo. A PF aponta que o Digimais replicou a tática fraudulenta do Banco Master, que também fazia descontos na folha de pagamento dos militares, como mostrou a Coluna do Estadão.

Procurada, a Aeronáutica não respondeu. Em relação à operação da PF, o Digimais diz que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso”.

Válido por cinco anos, o contrato foi assinado em 16 de setembro de 2025, na gestão Lula. Nesse tipo de negócio, não há custo formal ao governo, porque o faturamento depende diretamente dos empréstimos assinados com os militares.

A Aeronáutica autorizou o Digimais a fazer descontos diretamente na folha de pagamento dos integrantes da Aeronáutica em troca de empréstimo consignado.

O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo com desconto em salário. A quantia é debitada diretamente do valor que a pessoa tem a receber no contracheque, seja do governo federal, estadual ou municipal — no caso de servidores públicos —, ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para aposentados e pensionistas.

Segundo a investigação da PF, o Banco Digimais replicou a tática usada pelo Master, valendo-se da confiança dos investidores na proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Assim, a direção do banco teria superavaliado ativos “mediante a emissão de títulos com rentabilidade desproporcionais aos indicadores de mercado”.

A corporação aponta ainda que o desdobramento das operações financeiras investigadas culmina na proposta de alienação do controle societário do Banco Digimais ao Banco BTG Pactual. Trata-se, segundo a PF, de “uma transação de mercado que, segundo informações oriundas de fontes abertas, encontra-se estritamente condicionada à injeção estrutural de recursos por parte do FGC”.

A necessidade de aporte para concretizar a venda seria de R$ 7 bilhões, montante que seria destinado a cobrir o déficit do Digimais. Para a PF, isso significa que o prejuízo seria repassado amplamente ao FGC.

A tática evidencia a “concretização da transferência do risco inerente à atividade bancária, uma vez que permite aos operadores e administradores do Banco Digimais eximirem-se da obrigação de suportar o passivo resultante das suas condutas de gestão, consolidando a terceirização do ônus financeiro para a referida entidade garantidora”, continou a PF.

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