Vamos usar Minas Gerais como exemplo. Como o eleitor pode produzir uma decisão de qualidade se tem pela frente 1.100 candidatos a deputado federal, em um território do tamanho da França ou da Espanha, espalhados pelos 30 partidos existentes, a maioria sem forte conteúdo programático? O voto é na pessoa, mas a conquista da cadeira é partidária. Não entendendo o que é quociente eleitoral e o sistema de cálculo, estranhando não irem os mais votados, tendo tido contato mínimo com no máximo 10 entre os 1100 candidatos, não conseguindo comparar e votar com qualidade, o eleitor se vinga esquecendo o nome do seu escolhido e desencorando a base do sistema representativo.
Na última semana, comparei com o sistema
eleitoral inglês, francês e americano, onde o voto distrital puro aplicado à
Minas, por exemplo, teria o deputado federal eleito numa disputa parecida com a
de prefeito ou presidente, com no máximo 10 candidatos, em 54 distritos com cerca
de 300 mil eleitores, pelo método majoritário, onde ganha o mais votado. O
eleitor saberia o nome do deputado federal de seu distrito, e, melhor, ficaria
no seu calcanhar acompanhando votos e atitudes, com a ajuda dos cinco ou nove
adversários derrotados. Ganharia a democracia. É assim no Reino Unido, nos EUA
e na França.
Mas há uma alternativa. A adotada por
Portugal, Espanha e Itália. O voto não é na pessoa, é na lista partidária. A
representação se ancora nas ideias, não no território. O partido escolhe seus
candidatos, ordena a lista, todos remam na mesma direção, e as vagas
conquistadas são preenchidas na ordem da lista. Se o partido for bem no governo
ou na oposição, será premiado. Se for mal, será punido. Mas há um programa
partidário forte e uma dinâmica democrática dentro dos partidos. Aqui as
lideranças trocam de partido como se troca de camisa. Pouquíssimos partidos têm
consistência e coerência.
Há ainda a alternativa do voto distrital
misto. Cerca de metade das cadeiras é eleita na lista partidária, a outra
metade nos distritos. Depois da Segunda Guerra Mundial, os alemães queriam
reconstruir a democracia após a tragédia hitlerista. Os democratas-cristãos
queriam o distrital puro. A social-democracia, o sistema de listas. Fizeram um
acordo e inventaram o sistema misto, para atenuar os defeitos inevitáveis dos
dois sistemas clássicos. Foram seguidos, entre outros, por japoneses e coreanos
do sul.
Já o nosso sistema é original e péssimo. Não
se ancora nem no programa partidário, nem na base territorial. Não só o eleitor
vota sem as informações necessárias para uma boa escolha, como esquece o nome
de seu representante. As distorções são tantas que, para usar mais um exemplo
de Minas, é dito que o deputado Nikolas Ferreira – um fenômeno eleitoral –não
só irá renovar seu mandato, como eleger 10 a 15 deputados com os seus votos. Ou
seja, o eleitor é induzido a erro. Vota por identidade em Nikolas e elege, sem
querer, 10 ou 15 desconhecidos para ele.
Não pode ser considerado bom um sistema como esse!

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