Folha de S. Paulo
No Brasil, um influencer que se preze tem de
1 milhão a 100 milhões de seguidores
Quem serão esses milhões que seguem Camila
Pudim, Pamela Fuego e Leuriscleia?
Perguntaram-me quantos "seguidores" eu calculava que tivesse. Embatuquei: "Sei lá, nunca pensei nisso. Acho que nenhum". O outro insistiu: "Não é possível. Você está na imprensa há milhões de anos, escreve livros, dá entrevistas. É um dos principais influencers do país". Reagi com "Deus me livre, imagine a responsabilidade de influenciar alguém, de ser responsável por algo que uma pessoa faça ou deixe de fazer!". É verdade. Mal consigo dar conta de mim mesmo e meus gatos Bing, Dixie e Bizu acham ridículas minhas tentativas de ensiná-los a miar em francês. Além disso, em que um "influencer" influencia seus "seguidores"?
Não faltou quem me instruísse. Um influencer
é alguém que usa instagrams, youtubes, tiktoks e que tais para produzir vídeos,
fotos e textos sobre si mesmo e atrair seguidores que se deixam "impactar
por suas opiniões, sugestões, rotinas, atitudes e opções de consumo". E
que, devidamente impactados, passam a regular por ele suas preferências. Em
quê? "Em tudo: moda, games, viagens, gastronomia, até aplicações
financeiras". "Sério?", perguntei. E o que o influencer ganha
com isso? "Fábulas —é pago pelos serviços e marcas que ‘recomenda’.
Descubra quantos o seguem e calcule a grana que isso rende."
No Brasil, me disseram, um influencer que se
preze tem de 1 milhão a 100 milhões de seguidores. Quis saber quais eram os
principais e ouvi nomes como Neymar,
Ronaldinho Gaúcho, Anitta,
Vinicius Jr., Ivete Sangalo. Até aí tudo bem —são famosos, com profissão
definida, não falta quem queira ser como eles.
Mas quem é Virginia
Fonseca, com 56 milhões de seguidores? O que ela faz? E Camila
Pudim, Açucena Guerra, Gustavo Tubarão, Pamela Fuego, Andressa Suíta? E
sumidades com nomes como Hytalo, Thallysson, Sunaika, Pkllipe, Wueverton e
Leuriscleia? Mais importante ainda: quem são os milhões de brasileiros que os
seguem?
P.T. Barnum (1810-91), inventor do mafuá de
horrores, deixou uma frase que parecia imortal: "Nasce um otário por
minuto". Isso já era. Hoje é por segundo.

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