O Globo
Extrema direita lidera pesquisas para eleição
na Colômbia neste domingo; favorito se inspira em Bukele e Milei
Foi uma cena de teatro. Atrasado para a
sessão do G7, Donald Trump adentrou a sala quando os demais líderes já estavam
sentados. Ao passar pela cabeceira da mesa, estancou o passo, girou o corpo e
proclamou, com humor canastrão: “I’m the
boss” (Eu sou o chefe).
Divulgada pela Casa Branca, a performance bombou no noticiário e nas redes. Foi mais uma demonstração de poder do presidente dos Estados Unidos, que gosta de constranger aliados para afirmar sua força.
Em Évian, Trump tentou posar de pacifista ao
anunciar o fim da guerra que ele mesmo inventou. Os europeus fingiram acreditar
e bateram palmas. O chanceler Friedrich Merz o presenteou com uma camisa da
seleção alemã. “Estamos no mesmo time”, disse ao americano, que nem se levantou
da cadeira para receber o mimo.
A primeira-ministra Giorgia Meloni também
tentou agradar. Depois do encontro, pagou o preço da subserviência. “Ela me
implorou para tirar uma foto com ela. Eu não teria tirado, mas fiquei com
pena”, ironizou Trump. Restou à italiana se dizer “surpresa” e “decepcionada”
com a humilhação.
Os europeus queriam arrancar um gesto do
republicano a favor da Ucrânia. Ele assinou a declaração final, com ameaças de
sanções à Rússia, mas nada garante que vá manter a palavra por muito tempo.
Não é o forte de Trump, como já aprendeu a
diplomacia brasileira. Depois de estender o tapete vermelho a Lula, o americano
anunciou outro tarifaço e jogou uma boia para Flávio Bolsonaro, que parecia
prestes a se afogar no escândalo do Master.
Ao fim do G7, Lula disse que Trump fez uma
“coisa desaforada” e continua “agindo como imperador”. Dois dias depois, o
republicano chamou o brasileiro de “muito volátil” e garantiu que “não poderia
se importar menos” com ele.
Chumbo trocado, mas a Casa Branca continua
com mais munição do que o Planalto.
A vez da Colômbia
Abelardo de la Espriella é favorito na
eleição que escolherá hoje o novo presidente da Colômbia, terceira maior
economia da América do Sul. O candidato da extrema direita fez fortuna como
advogado de paramilitares e golpistas financeiros, mas se vende como inimigo do
sistema. Playboy, vive em Miami e gosta de ostentar. Desfila de ternos
italianos e mocassins Louis Vuitton.
A exemplo dos pares no Brasil, Espriella
transformou a camisa amarela da seleção nacional em uniforme de campanha.
Apesar da afinidade com os Bolsonaro, ele parece se inspirar mais no
salvadorenho Nayib Bukele e no argentino Javier Milei. Promete construir dez
megapresídios, romper o acordo de paz com as Farc e passar a motosserra na
máquina pública.
Às vésperas do segundo turno, Trump anunciou
“completo e total apoio” a Espriella. Nem precisava. Se as urnas confirmarem
sua vitória sobre o esquerdista Ivan Cepeda, professor de filosofia que paga
pela rejeição ao presidente Gustavo Petro, Lula ficará ainda mais isolado. O
uruguaio Yamandú Orsi deve restar como seu último aliado na região.

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