domingo, 21 de junho de 2026

O chefe na sala, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Extrema direita lidera pesquisas para eleição na Colômbia neste domingo; favorito se inspira em Bukele e Milei

Foi uma cena de teatro. Atrasado para a sessão do G7, Donald Trump adentrou a sala quando os demais líderes já estavam sentados. Ao passar pela cabeceira da mesa, estancou o passo, girou o corpo e proclamou, com humor canastrão: “I’m the boss” (Eu sou o chefe).

Divulgada pela Casa Branca, a performance bombou no noticiário e nas redes. Foi mais uma demonstração de poder do presidente dos Estados Unidos, que gosta de constranger aliados para afirmar sua força.

Em Évian, Trump tentou posar de pacifista ao anunciar o fim da guerra que ele mesmo inventou. Os europeus fingiram acreditar e bateram palmas. O chanceler Friedrich Merz o presenteou com uma camisa da seleção alemã. “Estamos no mesmo time”, disse ao americano, que nem se levantou da cadeira para receber o mimo.

A primeira-ministra Giorgia Meloni também tentou agradar. Depois do encontro, pagou o preço da subserviência. “Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena”, ironizou Trump. Restou à italiana se dizer “surpresa” e “decepcionada” com a humilhação.

Os europeus queriam arrancar um gesto do republicano a favor da Ucrânia. Ele assinou a declaração final, com ameaças de sanções à Rússia, mas nada garante que vá manter a palavra por muito tempo.

Não é o forte de Trump, como já aprendeu a diplomacia brasileira. Depois de estender o tapete vermelho a Lula, o americano anunciou outro tarifaço e jogou uma boia para Flávio Bolsonaro, que parecia prestes a se afogar no escândalo do Master.

Ao fim do G7, Lula disse que Trump fez uma “coisa desaforada” e continua “agindo como imperador”. Dois dias depois, o republicano chamou o brasileiro de “muito volátil” e garantiu que “não poderia se importar menos” com ele.

Chumbo trocado, mas a Casa Branca continua com mais munição do que o Planalto.

A vez da Colômbia

Abelardo de la Espriella é favorito na eleição que escolherá hoje o novo presidente da Colômbia, terceira maior economia da América do Sul. O candidato da extrema direita fez fortuna como advogado de paramilitares e golpistas financeiros, mas se vende como inimigo do sistema. Playboy, vive em Miami e gosta de ostentar. Desfila de ternos italianos e mocassins Louis Vuitton.

A exemplo dos pares no Brasil, Espriella transformou a camisa amarela da seleção nacional em uniforme de campanha. Apesar da afinidade com os Bolsonaro, ele parece se inspirar mais no salvadorenho Nayib Bukele e no argentino Javier Milei. Promete construir dez megapresídios, romper o acordo de paz com as Farc e passar a motosserra na máquina pública.

Às vésperas do segundo turno, Trump anunciou “completo e total apoio” a Espriella. Nem precisava. Se as urnas confirmarem sua vitória sobre o esquerdista Ivan Cepeda, professor de filosofia que paga pela rejeição ao presidente Gustavo Petro, Lula ficará ainda mais isolado. O uruguaio Yamandú Orsi deve restar como seu último aliado na região.

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