Folha de S. Paulo
Eleição na Colômbia, a exemplo do que
ocorrera no Peru, é decidida por margem mínima de diferença
Polarização afetiva e ambientes de circulação
rápida de informações favorecem a volatilidade do eleitorado
Pelas apurações extraoficiais, Abelardo de la Espriella, o candidato da direita radical, foi eleito presidente da Colômbia. As pesquisas já indicavam que Espriella levava vantagem sobre seu rival no segundo turno, o esquerdista Iván Cepeda. O que surpreendeu foi o resultado apertado. Se os números da contagem prévia se confirmarem, o que normalmente acontece, Espriella venceu por uma diferença de apenas um ponto percentual (49,66% a 48,7%). Na Colômbia, os votos em branco são válidos, daí que o vencedor não precisa atingir 50%.
O resultado colombiano vem enquanto o
Peru ainda tenta determinar quem venceu o pleito presidencial
do dia 7. A também direitista Keiko Fujimori lidera a contagem oficial por
margem mínima (50,1% contra 49,9%). É impossível não recordar a vitória
apertada de Lula sobre Jair Bolsonaro em 2022, por apenas 1,8 ponto percentual.
O que está acontecendo? As margens de
vitórias eleitorais estão se estreitando? É possível que sim, mas é preciso
cuidado para não superestimar o alcance desse efeito. Tivemos aqui mesmo na
América Latina vários pleitos recentes, como o do Chile e o da Bolívia, que
foram vencidos com maiorias bem mais confortáveis. O que parece mais seguro
afirmar é que a polarização afetiva em ambiente de rápida circulação de
informações (e desinformações) deixa o eleitorado mais arisco e isso,
notadamente em disputas de segundo turno em que ambos os candidatos têm alta
rejeição, produz as margens apertadas. Mesmo quem não é polarizado e não morre
de amores por nenhum dos contenedores é forçado a optar pelo que considera
menos ruim.
É interessante notar que essa maior
volatilidade afeta também os líderes eleitos por maiorias mais expressivas. O
tradicional período de lua de mel dos governantes foi drasticamente encolhido,
como mostram os protestos na
Bolívia e a rápida deterioração da popularidade de Kast no
Chile.
Mesmo que consigamos restaurar o espaço do
eleitor moderado, a impaciência algorítmica, creio, veio para ficar.
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