Folha de S. Paulo
Presidenciáveis e auxiliares são pródigos em
repetir diagnósticos robustos sobre as razões dos problemas crônicos da
economia brasileira, mas falta oxigenação de ideias
Na ausência de propostas, vai sobrar fake
news; Pix é candidato número um a alvo
O debate de medidas econômicas pelos
presidenciáveis nas eleições deste
ano já nasceu pobre antes de começar para valer.
Os candidatos são pródigos em repetir
diagnósticos sobre as razões dos problemas crônicos da economia brasileira,
mas falta oxigenação de ideias de como resolvê-los por meio de uma abordagem
moderna e inovadora.
Há uma fadiga de velhas propostas. É
perceptível que as campanhas não estão preparadas para enfrentar o debate de
ideias. Desenhar o plano de governo é apenas cumprir tabela.
A audiência, que são os eleitores, também não cobra profundidade e prefere se lambuzar no caminho fácil do Fla-Flu da polarização barata a serviço dos cliques das redes.
Na busca pela reeleição, o presidente Lula (PT) aposta na defesa
do legado, dos programas que foram ampliados e das novas iniciativas, como o
Desenrola e o Pé-de-Meia para estudantes. Em outra frente, mostrará que o PIB está
crescendo, inflação controlada, desemprego baixo.
Culpará os juros altos
e esquecerá o crescimento da dívida pública.
A delicada situação fiscal, por exemplo, que
o governo Lula insiste em minimizar e a oposição usa para atacar o governo, vai
aparecer de modo superficial. Não é tema que toca aos eleitores, mas serve de
palanque genérico, assim como a crise na segurança pública.
A direita vai acusar a esquerda de
irresponsabilidade fiscal. Mas não terá coragem de falar de desindexação,
vinculação, corte de emendas, redução de subsídios, redução de incentivos
fiscais e tal. Medidas amargas não dão voto.
Flávio
Bolsonaro critica a reforma tributária e fala em aumento de carga, por
exemplo, que é algo que também aparece no discurso de Romeu Zema (Novo). O
candidato do PL ousa
propor aos Estados
Unidos adiamento do tarifaço para depois das eleições, mas não
consegue ter um discurso redondo sobre economia.
Na ausência de propostas, as fake news vão
dominar o debate econômico. O Pix é
candidato a ser alvo, como foi o Bolsa Família no
passado. A discussão relevante vai ficar para depois, independentemente de quem
ganhar.

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