quinta-feira, 9 de julho de 2026

A fadiga de velhas propostas econômicas nas eleições, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Presidenciáveis e auxiliares são pródigos em repetir diagnósticos robustos sobre as razões dos problemas crônicos da economia brasileira, mas falta oxigenação de ideias

Na ausência de propostas, vai sobrar fake news; Pix é candidato número um a alvo

O debate de medidas econômicas pelos presidenciáveis nas eleições deste ano já nasceu pobre antes de começar para valer.

Os candidatos são pródigos em repetir diagnósticos sobre as razões dos problemas crônicos da economia brasileira, mas falta oxigenação de ideias de como resolvê-los por meio de uma abordagem moderna e inovadora.

Há uma fadiga de velhas propostas. É perceptível que as campanhas não estão preparadas para enfrentar o debate de ideias. Desenhar o plano de governo é apenas cumprir tabela.

A audiência, que são os eleitores, também não cobra profundidade e prefere se lambuzar no caminho fácil do Fla-Flu da polarização barata a serviço dos cliques das redes.

Na busca pela reeleição, o presidente Lula (PT) aposta na defesa do legado, dos programas que foram ampliados e das novas iniciativas, como o Desenrola e o Pé-de-Meia para estudantes. Em outra frente, mostrará que o PIB está crescendo, inflação controlada, desemprego baixo. Culpará os juros altos e esquecerá o crescimento da dívida pública.

A delicada situação fiscal, por exemplo, que o governo Lula insiste em minimizar e a oposição usa para atacar o governo, vai aparecer de modo superficial. Não é tema que toca aos eleitores, mas serve de palanque genérico, assim como a crise na segurança pública.

A direita vai acusar a esquerda de irresponsabilidade fiscal. Mas não terá coragem de falar de desindexação, vinculação, corte de emendas, redução de subsídios, redução de incentivos fiscais e tal. Medidas amargas não dão voto.

Flávio Bolsonaro critica a reforma tributária e fala em aumento de carga, por exemplo, que é algo que também aparece no discurso de Romeu Zema (Novo). O candidato do PL ousa propor aos Estados Unidos adiamento do tarifaço para depois das eleições, mas não consegue ter um discurso redondo sobre economia.

Na ausência de propostas, as fake news vão dominar o debate econômico. O Pix é candidato a ser alvo, como foi o Bolsa Família no passado. A discussão relevante vai ficar para depois, independentemente de quem ganhar.

 

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