Correio Braziliense
Senador aposta que o colapso
da política externa poderá ser atribuído a Lula e convertido em votos para a
oposição, ao provocar crise econômica
Flávio Bolsonaro transformou a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência numa tribuna para líderes estrangeiros atacarem o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Dobrou uma aposta de alto risco na crise externa. O candidato do PL se apresenta como representante nacional de uma onda conservadora internacional, mas fomenta a deterioração das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com Estados Unidos, Argentina e Israel.
A operação pode até mobilizar o eleitorado
bolsonarista mais radical, porém ameaça interesses econômicos do país e expõe
Flávio à acusação de colocar a estratégia eleitoral de sua família acima do
interesse nacional. Convidado de honra da convenção do PL, em São Paulo, o
presidente argentino Javier Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
de “ladrão” e “presidiário” e dirigiu ao ministro Alexandre de Moraes uma
ofensa incompatível com o cargo que ocupa: “lixo careca”.
Foi um discurso truculento, realizado num
evento partidário brasileiro. Por isso, o ministro das Relações Exteriores,
Mauro Vieira, classificou a manifestação como interferência nos assuntos
internos do Brasil e uma agressão ao Executivo, ao Judiciário, ao Congresso e
ao povo brasileiro. Lula tentou tirar por menos: “Eu? Quem é esse cara?”, mas a
reação de alguns ministros foi no mesmo diapasão. O ministro da Fazenda, Dario
Durigan, abandonou o estilo diplomático e chamou Milei de “palhaço”.
Essa escalada verbal não interessa aos dois
países. Brasil e Argentina construíram, desde o governo José Sarney, uma
parceria que permitiu superar a antiga rivalidade estratégica, criar o Mercosul
e integrar cadeias produtivas fundamentais, principalmente na indústria
automobilística. A Argentina é o terceiro maior destino das exportações
brasileiras. Pelos dados apresentados, comprou US$ 9,12 bilhões em produtos do
Brasil, atrás apenas da China, com US$ 47,68 bilhões, e dos Estados Unidos, com
US$ 20,02 bilhões.
A pauta destinada à China é concentrada em
commodities, sobretudo soja, petróleo e minério de ferro. Estados Unidos e Argentina
absorvem uma parcela proporcionalmente maior de bens industrializados, de maior
valor agregado e com capacidade de gerar empregos qualificados no Brasil.
Automóveis, autopeças, máquinas, equipamentos elétricos, produtos químicos,
aeronaves, combustíveis processados e outros manufaturados ocupam espaço
relevante nas vendas aos mercados norte-americano e argentino. A retração das
exportações pode reduzir a produção industrial, interromper cadeias de
fornecedores, adiar investimentos, afetar a arrecadação e eliminar empregos
Eixo de alianças
A presença de Milei na convenção não foi um
acaso, reflete o eixo das alianças internacionais de Flávio Bolsonaro, ao lado
da mensagem de Benjamin Netanyahu exibida no evento e da atuação do secretário
de Estado norte-americano, Marco Rubio. As relações entre Brasil e Israel
chegaram ao nível mais baixo desde 1949. Os dois países deixaram suas
representações sob encarregados de negócios, sem embaixadores. Ao gravar uma
mensagem para a convenção do PL, o primeiro-ministro israelense ingressou
diretamente no ambiente eleitoral brasileiro e reforçou a identificação do
bolsonarismo com seu governo.
Forma-se uma conexão internacional de extrema
direita: Milei representa o ultraliberalismo econômico e a guerra cultural
contra a esquerda; Netanyahu é um senhor da guerra marcado pela prolongada
ofensiva militar em Gaza; e Rubio executa uma política externa voltada para
conter a expansão chinesa e alinhar governos da América do Sul às prioridades
de Washington.
Com os Estados Unidos, o problema é
economicamente mais grave. A imposição de tarifas pelo governo Donald Trump já
interferiu na eleição brasileira e atingiu setores exportadores. Rubio
tornou-se um dos principais formuladores dessa pressão, associando medidas
diplomáticas, comerciais e políticas a críticas ao Supremo e aos processos
contra Jair Bolsonaro.
Flávio procura transformar essa ofensiva numa prova de que Lula isolou o país. O efeito pode ser aumentar as tensões com dois dos três maiores compradores dos produtos brasileiros, ampliar a insegurança dos empresários e criar dificuldades para os setores industriais. Uma ruptura mais profunda elevaria custos, pressionaria preços e prejudicaria a renda e o emprego.

Excelente coluna! Parabéns ao autor, e ao blog por divulgá-la!
ResponderExcluirO que seria de mim sem esse blog,eu agradeço também.
ResponderExcluirNathan’s hue????( rsrsrsrsrs
ResponderExcluirPiada grosseira com esse cafajestes. Foi bom saber perdeu meu voto Bolsonaro.
ResponderExcluirPig nojento
ResponderExcluirO hipocrita do Nathanahue
ResponderExcluirBucho asqueroso e fingido
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