terça-feira, 21 de julho de 2026

Condenado cá, premiado lá, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ainda brasileiro, conquistou algo mais importante do que um mero troféu decorativo por trabalhar a favor de Donald Trump e dos interesses americanos contra o Brasil. O prêmio de agradecimento foi bem concreto: um green card com o qual pode morar, estudar e trabalhar nos Estados Unidos.

Não é pouca coisa e não é para qualquer um, especialmente nesses tempos de Trump e ICE perseguindo, prendendo, deportando, humilhando e até separando pais de filhos, não de qualquer país, mas daqueles menos brancos e menos chiques. Como os da América Latina e da África, por exemplo.

Desde a posse de Trump, em janeiro de 2025, em torno de 4.500 brasileiros foram deportados pelo ICE, em meia centena de aviões, e mais de 17 mil aguardam, presos, o mesmo destino, sem saber quando e exatamente como e com quem.

Boa parte desses brasileiros entrou no país com visto de turismo, foi ficando e tornou-se ilegal, portanto, passível de deportação. É o caso do próprio Eduardo, que tem visto de turista e um agravante e tanto: a condenação no STF a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto.

Alegando ser “exilado político”, ele foi condenado após denúncia da PGR por coação, ou seja, por ter usado seu acesso a Trump e ao governo americano para pressionar o Supremo e o governo do Brasil e tentar encerrar o processo contra seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe.

A pena de Eduardo foi por unanimidade e ele também perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal e ficou inelegível por oito anos. Condenado no Brasil, premiado nos EUA. Isso comprova que sua lealdade, relação, interesse e futuro estão lá, não no Brasil onde nasceu e do qual virou inimigo.

Dinheiro não falta. Papai Jair lhe enviou R$ 2 milhões (dos R$ 17 milhões de uma vaquinha) para “as despesas básicas”, como morar numa excelente casa e passear com a família, até na Disney, entre uma conspiração e outra. E não parece ser a única fonte de renda.

Flávio Bolsonaro, o 01, pediu ao “irmão”, “meu irmão” e “irmãozinho” Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para o filme Dark Horse e, até hoje, não comprovou o destino da dinheirama.

Segundo a PF, R$ 61 milhões teriam sido liberados, não para a produtora do filme, e sim para um fundo internacional. A dúvida: os milhões eram para o filme do pai, para a campanha presidencial ou para manter o irmão verdadeiro, Eduardo, operando contra o Brasil no exterior?

Dizem que o crime compensa... O fato é que Eduardo Bolsonaro mora nos EUA, tem green card e dinheiro de sobra. Só falta camisa florida, chapéu Panamá e um iate reluzente para virar personagem de novela no Brasil, ou de filme em Hollywood.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário