sábado, 25 de julho de 2026

'Efeito Gabrielli' mostra o velho na política de Lula, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Durigan foi escalado para atuar como bombeiro após conversas de bastidor de coordenador de programa de governo

Mas se quiser convencer, ministro da Fazenda deveria dar pistas mais claras do que pode vir por aí

Substituto de Fernando Haddad na Fazenda, Dario Durigan atuou como bombeiro na campanha para a reeleição do presidente Lula, na tentativa de apagar os ruídos provocados por conversas de bastidores de representantes da Faria Lima com Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo.

O ministro buscou consertar o "efeito Gabrielli" ao afirmar que o governo não pretende adotar medidas de controle de capitais. Para completar, disse que vai "melhorar o fiscal, custe o que custar" ao defender medidas para conter as despesas obrigatórias.

Só a necessidade de dar explicações para contrapor o que disse Gabrielli sobre questões tão básicas a fim de evitar que o caldo entorne em 2027 mostra que a divisão no governo sobre os rumos da política econômica segue presente. Haddad encarou essa disputa.

É por isso que as palavras de Durigan soam vazias para os analistas que buscam respostas sobre como será a economia num eventual quarto mandato de Lula. As declarações revelam o que há de retrógrado no governo: a aposta em medidas que deram errado e que fecham as portas para o novo.

Não há espaço nem para discutir inovações com o objetivo de cortar despesas que são ineficientes. É desolador que a essa altura achem que consertar as contas públicas não é prioridade, mas sim submissão ao mercado, e que o problema seja a "centralidade da política de juros", como sugeriu Gabrielli.

Faltando poucos meses para as eleições, ninguém acha que Durigan vai dizer o que pretende fazer para corrigir os problemas das contas públicas com medidas amargas.

Certamente o ministro não repetirá Paulo Guedes, que nas eleições de 2022 enviou um projeto de Orçamento para o primeiro ano do governo eleito sem recursos para programas importantes, como o Farmácia Popular, e depois avisou que precisaria adotar medidas duras para refazer a peça orçamentária.

Se quiser convencer, Durigan deveria dar pistas claras do que pode vir por aí. Para começar, precisa conter o pacote de bondades eleitorais, que não acaba. O alargamento do socorro às empresas afetadas pelo tarifaço é a prova disso.

 

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