Folha de S. Paulo
Filho de Bolsonaro quer comprar ajuda de
Trump com nosso dinheiro
Bolsonarismo tenta vender facilidade aos
brasileiros após ter criado dificuldade
Flávio
Bolsonaro foi a Washington pedir que Donald Trump suspenda o
tarifaço temporariamente. O tarifaço, para quem não se lembra, foi
organizado por Eduardo
Bolsonaro, irmão de Flávio. Na questão do tarifaço, o bolsonarismo está
tentando vender facilidade aos brasileiros depois de ter criado a dificuldade,
uma tática clássica no mundo da corrupção.
É como se Lula tivesse
pedido, e obtido, sanções chinesas contra o Brasil depois da vitória de Jair em
2018, só para aparecer em 2022 dizendo: olha, prometo resolver esse negócio de
sanções chinesas, realmente terrível isso, quem será que fez, se vocês me
elegerem eu as reduzirei pela metade.
Lula não fez isso. Os Bolsonaros fizeram.
Os americanos só nos impuseram tarifas piores
que as dos outros porque sabem que aqui contam com a quinta coluna bolsonarista
para amenizar seus efeitos diante de metade da opinião pública brasileira. Se o
dano à economia cair na conta de Lula, completarão o álbum
da América do Sul com presidentes de direita e terão um puxa-saco sem
qualquer escrúpulo no Palácio do Planalto, como já têm na Casa Rosada.
Apesar disso, vejam só, Flávio Bolsonaro
começou seu discurso diante do Office of the United States Trade Representative
dizendo que Donald Trump é o culpado por sua queda nas pesquisas nos últimos
meses.
Usando dados de
uma pesquisa Quaest de 10 de junho, argumentou que Lula ampliou sua
dianteira por causa do novo tarifaço americano.
Hum.
Donald, vou te defender aqui: não foi culpa
sua. Flávio Bolsonaro caiu nas pesquisas porque pegaram ele enrolado em
mutretas com Daniel
Vorcaro. Sim, o tarifaço ajudou Lula em 2025, mas na época o candidato da
direita era Tarcísio de Freitas.
Um discurso que começa assim tem poucas
chances de piorar, mas Flávio Bolsonaro é um talento.
Disse que todas as questões entre Estados
Unidos e Brasil são causadas pelo antiamericanismo de Lula. As
questões são: o desmatamento, que atingiu recordes históricos no governo Bolsonaro,
disputas sobre o etanol que já duram décadas, o Pix, que foi criado por
funcionários de carreira do Banco Central, a regulação das big techs, que
envolvem Lula e o STF, sim, mas também Damares Alves e conservadores
preocupados com o que seus filhos veem nas redes.
Além disso, os americanos reclamaram da
corrupção brasileira. Em sua resposta, Flávio Bolsonaro deixou claro que
defende punição a todos os envolvidos no caso do Banco Master,
que, segundo ele, são os seguintes: Alexandre de Moraes, Jaques Wagner,
Guido Mantega e Ricardo Lewandowski.
Hum.
O
discurso em Washington prova que para Flávio Bolsonaro o tarifaço não
é ruim porque deixa o Brasil mais pobre: é ruim porque ajuda Lula a se
reeleger. Esse é o começo, o meio e o fim de seu argumento.
Por isso Flávio
só pede a suspensão do tarifaço, não seu abandono definitivo. Se for
eleito, promete entregar tudo o que Trump quiser. Se perder a eleição, quer
mais é que o Brasil se exploda.
Pela primeira vez na história brasileira, um
candidato a presidente brasileiro busca se eleger pedindo abertamente a
interferência de uma superpotência estrangeira na eleição. Esse tipo de ajuda
custa caro, e Flávio Bolsonaro pretende comprá-la com nosso dinheiro.

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