quinta-feira, 30 de julho de 2026

Flávio repetirá Trump e Milei sobre a OMS? Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Candidato irá se comprometer publicamente a manter o Brasil na organização ou a saída do órgão faz parte dos seus planos de governo?

Desfiliação tornou-se uma bandeira da direita nas Américas, implementada pelo por Trump e seu colega argentino

A desfiliação da OMS (Organização Mundial da Saúde) tornou-se uma bandeira da direita nas Américas, implementada pelo presidente Donald Trump e o seu colega argentino Javier Milei.

A saída do Brasil também chegou a ser cogitada por Jair Bolsonaro em 2020. No auge da pandemia da Covid-19, Bolsonaro disse que poderia deixar de integrar a organização se ela não abandonasse o que chamou de viés ideológico.

Dada a proclamada proximidade dos Bolsonaros com Trump e Milei, é mais do que natural que na campanha eleitoral se queira saber se o candidato Flávio Bolsonaro irá se comprometer publicamente a manter o Brasil na OMS ou se a saída do órgão faz parte dos seus planos de governo.

No caso da OMS, é bom rever o passado recente. Trump determinou a saída da organização em janeiro de 2025, no dia de sua posse para o segundo mandato. A retirada tornou-se efetiva em janeiro de 2026.

A Argentina seguiu o mesmo caminho. Javier Milei divulgou a saída 16 dias depois do anúncio do americano, repetindo as críticas feitas pelo republicano.

É legítimo criticar a OMS e defender reformas. O que não faz sentido é tratar uma eventual saída do Brasil como um tema secundário. A organização coordena a rede internacional de vigilância de epidemias, que permite identificar surtos, compartilhar informações e coordenar respostas a emergências sanitárias.

O Brasil tem uma responsabilidade especial nesse debate. Foi um dos países que ajudaram a idealizar a organização, que teve o brasileiro Marcolino Candau como o diretor-geral mais longevo de sua história. O país também construiu uma tradição de liderança em saúde pública reconhecida internacionalmente.

É um tema de extrema relevância para a população —e, assim como o financiamento do SUS e tantos outros, está fora do debate. A dois meses das eleições, discussões rasas, planos de governo genéricos e um modelo de campanha de estímulo à polarização dificultam o debate.

Sem compromissos assumidos, não tem como cobrar depois. É voto no escuro.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário