domingo, 12 de julho de 2026

Mudança de rumo, por Merval Pereira

O Globo

Flavio Bolsonaro pode ser inviabilizado como candidato à Presidência até mesmo antes de chegar a ser indicado pelo PL, pois as investigações do crime organizado no Rio de Janeiro chegam cada vez mais próximas a suas conexões pessoais.

Vivemos nessa eleição presidencial uma situação inversa à que se deu em 2018, quando o então desconhecido Jair Bolsonaro venceu. Naquela ocasião, o então ex-presidente Lula estava na cadeia, e no último minuto colocou Fernando Haddad para representá-lo. Hoje, é Bolsonaro quem está preso, e apressou-se a indicar seu filho, o senador Flavio Bolsonaro, para representá-lo. Lula demorou até onde pôde para assumir que não seria o candidato, imaginando com isso que transferiria mais facilmente seus votos para Haddad. Não deu certo.

Já Bolsonaro pensou em fazer o mesmo, mas sua situação era mais crítica que a de Lula, pois havia sido condenado por golpe de Estado, e dificilmente conseguiria um golpe parlamentar para tirá-lo daquela situação. A escolha de Flavio pareceu um erro no início, mas consolidou-se quando ficou claro que uma maioria da direita estava sendo levada para o extremismo da famiglia, tornando-se refém do populismo radical que elevou Bolsonaro a líder antiesquerdista. A fraqueza intrínseca de Flavio, porém, revela-se insuperável, além de seu telhado de vidro.

Tudo indica que ele pode ser inviabilizado como candidato à Presidência até mesmo antes de chegar a ser indicado pelo PL, pois as investigações do crime organizado no Rio de Janeiro chegam cada vez mais próximas a suas conexões pessoais. Uma análise da gestão interina do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio e interventor no governo do Estado do Rio de Janeiro destaca que o estado há muito tempo está refém de um grupo político que vem se revezando no poder através do uso da máquina pública. Está sendo demonstrado agora que essa máquina era baseada na corrupção.

O trabalho de limpeza de área que está sendo feito pelo desembargador Ricardo Couto está mostrando, pela primeira vez em muitos anos, que é possível organizar o governo estadual dentro dos marcos legais, cortando os excessos, os desperdícios e a corrupção. As pesquisas de opinião mostram que a falta de policiamento nas ruas é o principal problema na segurança para os moradores, um problema que extrapola para o país inteiro. A existência da corrupção e a falta de segurança estão entre os dois pontos principais nas preocupações do eleitor, e são questões imbricadas. Essas pesquisas refletem um sentimento nacional que vai ser muito debatido durante a campanha eleitoral.

A ideia da criação de um ministério da Segurança Pública, que volta e meia entra em debate, deve ser uma das prioridades exigidas pelos eleitores para os candidatos à presidência. Com certeza, teríamos avançado muito mais se tivéssemos mantido o ministério da Segurança criado pelo ex-presidente Temer e extinto pelo ex-presidente Bolsonaro. Não poder andar com celular na rua com medo de ser assaltado parece uma coisa pequena, mas afeta a tranquilidade da população, e é um assunto premente para qualquer brasileiro.

Mais uma vez no Rio de Janeiro estamos diante de exemplo que vem de cima. Desde o pequeno desvio, até a corrupção em alto nível, tudo faz com que o Estado não produza bem-estar para a população. Ao contrário, quando, como agora, há um governo que planeja o futuro e varre a corrupção, há avanços. O senador Flavio Bolsonaro, indicam as investigações, está envolvido diretamente nesse esquema criminoso que dominava o governo do Estado do Rio, e por isso está tendo dificuldades para montar sua própria chapa no Estado. Os candidatos ao Senado foram todos inviabilizados pelas ações policiais. O presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, candidato em potencial ao governo do Estado, é do mesmo grupo que está sendo investigado, e provavelmente não terá a oportunidade de assumir o governo interino. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nos próximos dias pela impossibilidade de realizar-se duas eleições no período de três meses, permanecendo o presidente do Tribunal de Justiça na interinidade até a eleição.

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