O Globo
Flavio Bolsonaro pode ser inviabilizado como
candidato à Presidência até mesmo antes de chegar a ser indicado pelo PL, pois
as investigações do crime organizado no Rio de Janeiro chegam cada vez mais
próximas a suas conexões pessoais.
Vivemos nessa eleição presidencial uma
situação inversa à que se deu em 2018, quando o então desconhecido Jair
Bolsonaro venceu. Naquela ocasião, o então ex-presidente Lula estava na cadeia,
e no último minuto colocou Fernando Haddad para representá-lo. Hoje, é
Bolsonaro quem está preso, e apressou-se a indicar seu filho, o senador Flavio
Bolsonaro, para representá-lo. Lula demorou até onde pôde para assumir que não
seria o candidato, imaginando com isso que transferiria mais facilmente seus
votos para Haddad. Não deu certo.
Já Bolsonaro pensou em fazer o mesmo, mas sua situação era mais crítica que a de Lula, pois havia sido condenado por golpe de Estado, e dificilmente conseguiria um golpe parlamentar para tirá-lo daquela situação. A escolha de Flavio pareceu um erro no início, mas consolidou-se quando ficou claro que uma maioria da direita estava sendo levada para o extremismo da famiglia, tornando-se refém do populismo radical que elevou Bolsonaro a líder antiesquerdista. A fraqueza intrínseca de Flavio, porém, revela-se insuperável, além de seu telhado de vidro.
Tudo indica que ele pode ser inviabilizado
como candidato à Presidência até mesmo antes de chegar a ser indicado pelo PL,
pois as investigações do crime organizado no Rio de Janeiro chegam cada vez
mais próximas a suas conexões pessoais. Uma análise da gestão interina do
desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio e
interventor no governo do Estado do Rio de Janeiro destaca que o estado há
muito tempo está refém de um grupo político que vem se revezando no poder
através do uso da máquina pública. Está sendo demonstrado agora que essa
máquina era baseada na corrupção.
O trabalho de limpeza de área que está sendo
feito pelo desembargador Ricardo Couto está mostrando, pela primeira vez em
muitos anos, que é possível organizar o governo estadual dentro dos marcos
legais, cortando os excessos, os desperdícios e a corrupção. As pesquisas de
opinião mostram que a falta de policiamento nas ruas é o principal problema na
segurança para os moradores, um problema que extrapola para o país inteiro. A
existência da corrupção e a falta de segurança estão entre os dois pontos
principais nas preocupações do eleitor, e são questões imbricadas. Essas
pesquisas refletem um sentimento nacional que vai ser muito debatido durante a
campanha eleitoral.
A ideia da criação de um ministério da
Segurança Pública, que volta e meia entra em debate, deve ser uma das
prioridades exigidas pelos eleitores para os candidatos à presidência. Com
certeza, teríamos avançado muito mais se tivéssemos mantido o ministério da
Segurança criado pelo ex-presidente Temer e extinto pelo ex-presidente
Bolsonaro. Não poder andar com celular na rua com medo de ser assaltado parece
uma coisa pequena, mas afeta a tranquilidade da população, e é um assunto
premente para qualquer brasileiro.
Mais uma vez no Rio de Janeiro estamos diante de exemplo que vem de cima. Desde o pequeno desvio, até a corrupção em alto nível, tudo faz com que o Estado não produza bem-estar para a população. Ao contrário, quando, como agora, há um governo que planeja o futuro e varre a corrupção, há avanços. O senador Flavio Bolsonaro, indicam as investigações, está envolvido diretamente nesse esquema criminoso que dominava o governo do Estado do Rio, e por isso está tendo dificuldades para montar sua própria chapa no Estado. Os candidatos ao Senado foram todos inviabilizados pelas ações policiais. O presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, candidato em potencial ao governo do Estado, é do mesmo grupo que está sendo investigado, e provavelmente não terá a oportunidade de assumir o governo interino. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nos próximos dias pela impossibilidade de realizar-se duas eleições no período de três meses, permanecendo o presidente do Tribunal de Justiça na interinidade até a eleição.

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