O Estado de S. Paulo
Quanto Flávio Bolsonaro vai pagar pelos novos 37,5% de Trump? E que candidato vai lucrar?
Duas perguntas rondam a política e as
eleições de outubro no Brasil. Quanto as novas tarifas de 37,5%, aplicadas por
Donald Trump a produtos brasileiros, vão custar a Flávio Bolsonaro, que será
formalizado candidato do PL neste sábado? E quem pode se beneficiar com a
fragilidade crescente de Flávio, só Lula?
O novo ataque de Trump é um desastre histórico, empurra o Brasil mais e mais para a China e novos mercados e não pode, nem vai passar em branco nas eleições, como o próprio Flávio percebeu e tentou reverter, sem sucesso.
Escaldado pelo efeito do tarifaço de 50% na
sua candidatura, Flávio intercedeu junto ao governo Trump para adiar os novos
ataques ao Brasil para depois das eleições. Não deu certo e ele acionou o Plano
B, de jogar a culpa no governo e em Lula. Também não está funcionando.
Assim, a soma dos 25%, sob alegação de
“competição ilegal”, com mais 12,5%, sob o pretexto de “trabalhos forçados”,
tende a cair no colo e nos índices de Flávio – como os 50% de 2025. Ou os
empresários e empregados afetados desconhecem os responsáveis e a gênese dos
três tarifaços?
E mais: a taxação de 12,5% desabou no Brasil e na eleição justamente no dia em que o ministro André Mendonça, relator do escândalo Master, autorizou o STF a investigar a origem e o destino dos milhões de reais de Daniel Vorcaro para Flávio. Segundo ele, foram para o filme Dark Horse. Será?
As novas taxas vêm no pior momento de Flávio,
alvo dos erros dele próprio e dos irmãos, todos sem respostas convincentes.
Tanto que ele, sempre na defensiva, já desistiu de tentar explicar o
inexplicável e de convencer alguém. Vai convencer a PF, a PGR e o STF?
Toda vez que Flávio abriu a boca não
esclareceu nada e não apresentou dados e provas sobre rachadinhas, milícias,
loja de chocolate, múltiplos imóveis, mansão e, agora, Vorcaro,
Dark Horse, “pagamentos advocatícios”... Como
as relações da família com Trump e as consequências para o Brasil.
O “pedido de desculpas” para Michelle
Bolsonaro só veio um mês depois do vídeo em que foi acusado por ela de
“humilhá-la” e tratá-la como “idiota”. Demorou, não explicou e confirmou o que
a sociedade já sabia, ou intuía: quem falou a verdade e quem mentiu.
Eis a síntese: Flávio faz, leva um susto
quando estoura, reage negando e não consegue consertar. Ok, Michele aceitou as
desculpas e volta à campanha, mas o eleitor esqueceu o que ela disse? Flávio se
desvencilhou da imagem de desprezar as mulheres? Sua candidatura parece fazer
água por todo lado e, se Lula tem sido o beneficiário mais óbvio, há alguém
disputando a colheita: Ronaldo Caiado, do PSD. •

Desejo boas vibrações a todos os candidatos.
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