sexta-feira, 24 de julho de 2026

PF complica Flávio, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Investigação sobre filme chega num momento de uma maré de notícias negativas

A Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas dos recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O valor vultoso e o complexo caminho do dinheiro despertaram dúvidas entre os investigadores.

São mais de R$ 61 milhões que saem da Entre Investimentos, que pertence a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e chegam a um fundo no Texas, controlado por advogado próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para depois retornar ao Brasil para a Go Up Entertainment, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou que era prudente investigar e teve o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Relator do caso Master, Mendonça mostra independência, mesmo tendo sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Se comprovadas, as suspeitas de crime levantadas pela PF desmontariam a versão do senador Flávio Bolsonaro (PLSP), pré-candidato à Presidência da República. Ele havia dito que se tratava de uma transação comercial privada.

Flávio é uma espécie de avalista da chegada dos milhões de reais a essa rede, já que foi ele que pediu a Vorcaro, em áudio revelado pelo site Intercept Brasil, para financiar o filme Dark Horse. Torna-se, portanto, um dos alvos da PF em plena campanha eleitoral.

A investigação chega num momento de uma maré de notícias negativas. A pré-candidatura encontrou algum alento com a reconciliação com a madrasta Michelle Bolsonaro (PL), amiga próxima do ministro Mendonça, mas a situação não está fácil.

Depois de quase um mês de desavenças públicas, Flávio pediu desculpas a Michelle para virar o rumo do noticiário. Perdendo tração nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato tem dificuldades de atrair o apoio do Centrão e a boa vontade do mercado e do empresariado, que normalmente teriam simpatia pelos adversários do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PP-União Brasil prometeu neutralidade aos seus filiados, enquanto o Republicanos ainda negocia e quer apoio nos Estados. Cotada para vice na chapa, a administradora Daniella Marques faz um roadshow pelo setor privado com encontros com cerca de 25 representantes de bancos e entidades da indústria e dos serviços. A principal dúvida dos seus interlocutores é se Flávio tem chances de vencer Lula em outubro.

Boa parte dessas chances estará ligada ao trabalho da PF que agora começa a investigar a fundo o caso Dark Horse. Devem ocorrer pedidos de cooperação com autoridades americanas e quebras de sigilo. Tudo isso vai estar nas mãos do ministro Mendonça.

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