O Estado de S. Paulo
Investigação sobre filme chega num momento de uma maré de notícias negativas
A Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro
e evasão de divisas dos recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse,
a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O valor vultoso e o complexo caminho do
dinheiro despertaram dúvidas entre os investigadores.
São mais de R$ 61 milhões que saem da Entre
Investimentos, que pertence a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e chegam a um
fundo no Texas, controlado por advogado próximo do ex-deputado Eduardo
Bolsonaro, para depois retornar ao Brasil para a Go Up Entertainment, ligada à
empresária Karina Ferreira da Gama.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou que era prudente investigar e teve o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Relator do caso Master, Mendonça mostra independência, mesmo tendo sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Se comprovadas, as suspeitas de crime
levantadas pela PF desmontariam a versão do senador Flávio Bolsonaro (PLSP),
pré-candidato à Presidência da República. Ele havia dito que se tratava de uma
transação comercial privada.
Flávio é uma espécie de avalista da chegada dos milhões de reais a essa rede, já que foi ele que pediu a Vorcaro, em áudio revelado pelo site Intercept Brasil, para financiar o filme Dark Horse. Torna-se, portanto, um dos alvos da PF em plena campanha eleitoral.
A investigação chega num momento de uma maré
de notícias negativas. A pré-candidatura encontrou algum alento com a
reconciliação com a madrasta Michelle Bolsonaro (PL), amiga próxima do ministro
Mendonça, mas a situação não está fácil.
Depois de quase um mês de desavenças
públicas, Flávio pediu desculpas a Michelle para virar o rumo do noticiário.
Perdendo tração nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato tem
dificuldades de atrair o apoio do Centrão e a boa vontade do mercado e do
empresariado, que normalmente teriam simpatia pelos adversários do PT, do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O PP-União Brasil prometeu neutralidade aos
seus filiados, enquanto o Republicanos ainda negocia e quer apoio nos Estados.
Cotada para vice na chapa, a administradora Daniella Marques faz um roadshow
pelo setor privado com encontros com cerca de 25 representantes de bancos e
entidades da indústria e dos serviços. A principal dúvida dos seus
interlocutores é se Flávio tem chances de vencer Lula em outubro.
Boa parte dessas chances estará ligada ao trabalho da PF que agora começa a investigar a fundo o caso Dark Horse. Devem ocorrer pedidos de cooperação com autoridades americanas e quebras de sigilo. Tudo isso vai estar nas mãos do ministro Mendonça.

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