Folha de S. Paulo
Investida de Flávio contra as urnas
eletrônicas arranha tentativa de posar de moderado
Se o clã fracassar em mais uma disputa, a
marca Bolsonaro já não valerá muito
A pregação
contra as urnas eletrônicas de Flávio
Bolsonaro representa um desafio hermenêutico. Com tal gesto, o
jovem Bolsonaro anula ou ao menos enfraquece a imagem de moderação que se
esforçava para construir. E esse era um cálculo que fazia sentido, já que, para
vencer um eventual segundo turno contra Lula,
ele precisará do apoio de eleitores independentes normalmente avessos a
radicalismos.
A interpretação mais plausível para a mudança de atitude é que, diante dos percalços por que passa a campanha, Flávio já prepara o discurso para uma derrota. Se Lula triunfar, não terá sido porque recebeu mais votos, mas sim porque o sistema, o "deep state" tupiniquim, conspira contra os Bolsonaros. Uma punição do TSE pelas mentiras sobre as urnas só reforçaria esse discurso.
O problema dessa estratégia é que é cedo para
jogar a toalha. O período oficial de campanha nem começou. Lula é hoje o
favorito, mas não dá para dizer que ele viva um idílio inquebrantável com o
eleitorado. Se o dólar disparar, por exemplo, sua vantagem periclita. Parece
precipitado espantar desde já o eleitor moderado.
Isso nos leva às motivações profundas dos
Bolsonaros. Jair preteriu a candidatura presidencial de Tarcísio de
Freitas, que teria maior chance de êxito, para lançar o filho e
conservar a marca Bolsonaro sob domínio familiar. O que ele talvez não tenha
considerado é que uma nova derrota enfraquecerá muito a marca. É a perspectiva
de poder que dá força a políticos.
E, sem uma vitória, o valor da marca cairá
ainda mais em 2030. A polarização se nutre do sentimento negativo. É o pavor de
ver mais um governo Lula que faz o eleitor de direita que não morre de amores
pela família votar no candidato do clã. Em 2030, Lula será carta fora do
baralho, o que deverá reduzir o sobrenome Bolsonaro a uma lembrança incômoda.
Jair, que já é oficialmente um idoso frágil,
ganharia mais se apoiasse um candidato com maior chance de vitória que se
dispusesse a anistiá-lo. Ainda bem que a família padece de discalculia.
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Verdade,em 2030 o antilulismo desaparecerá,espero que surja um representante de esquerda fora do PT e do PSOL,eu sou contra radicalismos.
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