sábado, 11 de julho de 2026

Obsessão por Trump vai derretendo candidatura do filho 01, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Ao defender o tarifaço, Flávio Bolsonaro se afasta do meio empresarial e rompe com 'direita limpinha'

Para reduzir rejeição feminina, ele quer transformar a mulher, Fernanda, numa espécie de Michelle 2

Alguém pôs na cabeça de Flávio Bolsonaro –provavelmente o pai– que, sem a ajuda ou a interferência direta de Trump e a propaganda e as teorias da extrema direita internacional, ele não ganha a eleição. Até agora a sugestão teve um efeito contrário.

Na sua sexta viagem aos EUA neste ano, mais do que o número de idas a estados-chave durante a pré-campanha (cujo objetivo é o Palácio do Planalto, não a Casa Branca, é bom lembrar), o filho 01 esteve em uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio para defender o tarifaço 2.0 –desde que a chantagem político-econômica entre em vigor só depois das eleições. Pediu o prazo de 90 dias, alegando que a medida pode vir no "pior momento possível" e beneficiar Lula. Um cálculo de quem teme não chegar ao segundo turno.

Numa só tacada, deu mais munição aos petistas na hora de explorar o mote da soberania, desagradou a Faria Lima e os empresários (que já tratam a vitória de Lula como "provável"), intensificou o fogo amigo contra a própria campanha (o núcleo liberticida instalado nos EUA, tendo à frente o filho 03 e o neto do general da ditadura, não tolera a coordenação do senador Rogério Marinho nem os marqueteiros) e promoveu de vez o racha com a "direita limpinha".

Além do caso Dark Horse, o 01 enfrenta o desafio do voto feminino, que soma 52,47% do total e foi decisivo para a derrota do pai. O abismo é grande –segundo recente pesquisa Quaest, 35% das mulheres se declaram antibolsonaristas– e deve aumentar ainda mais após a crise com a ex-primeira-dama Michelle. Flávio se esforça para cacifar a mulher, Fernanda, como uma espécie de Michelle 2.

O problema, no entanto, não é uma mulher em particular, são as mulheres em geral. Nas redes, grupos radicalizados se mostram contra o voto feminino, imitando a agenda dos apoiadores de Trump nos EUA. Michelle está sendo xingada de tudo. Os menos belicosos a consideram "feminista".

Em tempo: Marina Silva e Simone Tebet lideram a disputa ao Senado em São Paulo, segundo o Datafolha.

 

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