sexta-feira, 31 de julho de 2026

Os quartos novos trunfos de Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Após a tormenta, Flávio ganha reforço para o discurso e para o palanque na campanha

Após semanas de erros e más notícias, o senador Flávio Bolsonaro finalmente tem o que comemorar: além da investigação de Lulinha por tráfico de influência e a quebra de sigilo do caso Jaques Wagner, ele pode ganhar dois importantes troféus na campanha.

Se confirmados, esses troféus vão jogar uma lufada de ânimo na sua candidatura e minar a percepção de que o presidente Lula, em vantagem em Estados decisivos, tem tudo para vencer. Bom para Flávio, péssimo para Lula.

Quais são esses trunfos? Um é a senadora Tereza Cristina e o outro, o também senador Cleitinho. O problema: ambos são ótimos para Flávio, mas Flávio pode não ser tão bom assim para eles. O sonho de Flávio, ainda mais após a crise com Michelle, é ter uma mulher como vice e nenhuma melhor que Tereza Cristina. Ela é, inclusive, considerada no agronegócio, em meios militares e entre eleitores independentes (nem Lula nem Flávio) até melhor do que o próprio Flávio como cabeça de chapa.

Sondada insistentemente para vice, a senadora sempre disse não, porque queria ser a primeira mulher a presidir o Senado. O não está virando sim e tende a dar densidade à chapa e se tornar o mais relevante movimento político da campanha de Flávio.

Tereza Cristina é líder do agro, foi ministra da Agricultura e saiu ilesa do desastre na pandemia, da tentativa de golpe e das crises externas do governo Bolsonaro. Ao largo de tudo isso, ela trabalhava – e bem.

O outro trunfo, Cleitinho, começou a vida com um megafone na mão, anunciando o armazém de secos & molhados de um irmão e conquistando a fama de engraçado, simpático. Daí para um mandato de vereador, foi um pulo. Bom de internet, obviedades e trivialidades, ele aproveitou bem o esfarelamento do PT e do PSDB em Minas e virou campeão de votos na segunda maior economia e no segundo maior colégio eleitoral do País, decisivo nas eleições presidenciais: só sobe a rampa do Planalto quem vence em Minas.

Cleitinho foi cortejado dia e noite para ser candidato de Flávio ao governo de Minas, contra o ex-ministro Patrus Ananias, escolhido por Lula por eliminação. Apesar dos pesares, Cleitinho aponta para o futuro, enquanto Patrus, belo quadro político, remete ao passado.

Cleitinho também jurava que não aceitaria. A diferença é que Tereza Cristina ainda é favorita para vice de Flávio, mas a situação dele se inverteu: ele decidiu aceitar, mas, agora, seu partido, o Republicanos, é que não quer. Os dois senadores têm força para sacudir a campanha de Flávio, mas vão ter de responder sobre Dark Horse, tarifaços de Trump, imóveis e milícia no Rio. Assim como Lula e PT terão muito trabalho com Lulinha.

 

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