sexta-feira, 31 de julho de 2026

PF tentou drible, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

A PF enviou para a presidência do STF pedido de inquérito contra Lulinha sob um novo relator

A Polícia Federal tentou dar um drible no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e retirar da sua batuta as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Nas apurações do caso do INSS, cujo relator é Mendonça, os investigadores descobriram as ligações de Lulinha com Antonio Carlos Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

E, lá no meio, estava também uma suspeita de tráfico de influência do filho do presidente Lula a favor do canabidiol junto ao Ministério da Saúde. Antunes chegou a levar Lulinha numa viagem a Portugal sobre o tema.

É praxe em investigações policiais surgirem procedimentos autônomos, vinculados ao eixo principal. Só nos casos Master e INSS, as duas investigações mais polêmicas hoje, chegam a quase 200 inquéritos diferentes.

Sem consultar Mendonça, a PF decidiu que Lulinha merecia um tratamento especial e enviou para a presidência do STF um pedido de abertura de inquérito sob um novo relator. Nas férias do presidente do tribunal, Edson Fachin, quem assume o posto é o primeiro-vice-presidente, o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes enviou o tema à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não se opôs à escolha de um novo relator. Assim, o inquérito sobre Lulinha partiu para um sorteio. Por aquelas ironias do destino, o sorteado foi o próprio Mendonça. O drible quase funcionou.

Os embates entre a PF e Mendonça nas investigações do INSS não vêm de hoje, mas chegaram ao ponto mais tenso do jogo. Já foram trocados pela cúpula da instituição três delegados que conduzem o caso e um perito. Pessoas que acompanham o assunto de perto dizem que são evidências de pressão política, mas a PF nega.

Mendonça fez uma reclamação formal sobre a morosidade das apurações e a falta de informações sobre o caso nos autos, e cobrou imparcialidade. Recebeu um relatório de oito páginas e voltou a protestar. A PF reagiu e enviou um pedido à Advocacia-Geral da União (AGU) para que encontre um “remédio jurídico” para frear a atuação do ministro e o que considera uma interferência na autonomia da instituição. Mendonça foi indicado para o STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O jogo é pesado, envolve o filho de Lula, que é candidato à reeleição e, vale lembrar, o pleito ocorre em outubro. O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho de Jair Bolsonaro, é o principal candidato da oposição.

Um comentário:

  1. " Moraes enviou o tema à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não se opôs à escolha de um novo relator. Assim, o inquérito sobre Lulinha partiu para um sorteio. Por aquelas ironias do destino, o sorteado foi o próprio Mendonça. O drible quase funcionou. "

    Hahahahah

    😏

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