quinta-feira, 2 de julho de 2026

Urnas vão julgar políticos antes do STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Eleitores, e não a nata do Judiciário, vão decidir primeiro quem do caso Master deve ser punido

As urnas vão definir, antes do Supremo Tribunal Federal (STF), quem são os culpados e os inocentes no escândalo do Banco Master. A Polícia Federal poderá concluir a investigação sobre o esquema de Daniel Vorcaro antes de outubro. O ritmo das apurações será mais ágil após a rejeição de duas propostas de delação premiada do ex-banqueiro, com expectativa de acontecer o mesmo com a terceira tentativa.

Ainda assim, não haverá tempo hábil para a Corte encerrar o processo judicial até lá. Finalizada a parte da PF, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar ou não denúncias ao Supremo contra os eventuais indiciados. Nos bastidores, a expectativa é de que Paulo Gonet não tenha pressa para fazer isso, especialmente no meio do processo eleitoral.

Em caso de denúncia, se os ministros da Segunda Turma do STF concordarem em abrir ação penal, vai ser iniciada uma nova fase de apurações. Somente com o encerramento desta fase o tribunal julgaria os réus. Os prazos fixados na legislação penal devem empurrar a conclusão do processo para 2027.

Ou seja: quando a classe política for julgada pelo STF, não haverá mais pressão eleitoral.

Sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que foram citados por relações próximas com Vorcaro, o mais provável é que nem sequer sejam alvo de denúncia da PGR.

Nas campanhas, o clima é de tensão. Mais do que o risco de condenação judicial, os candidatos temem agora o impacto das próximas operações da PF sobre as campanhas.

O primeiro candidato diretamente atingido foi Flávio Bolsonaro, com a descoberta de que Vorcaro teria financiado o filme sobre Jair Bolsonaro. O caso pode gerar novas frentes de apurações na PF. Entretanto, fontes do Supremo apostam que haja maior potencial para subtrair votos do filho do ex-presidente do que para gerar condenação penal.

A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva também foi alvejada com a revelação de que o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu dinheiro e vantagens de Vorcaro. Assim como a situação do oponente, Lula deve sofrer revés maior nas urnas do que nos tribunais.

Passada a eleição presidencial, a tendência é de que o escândalo do Master perca tração no Supremo – mesmo porque a pressão da opinião pública em torno do caso provavelmente terá diminuído. A exemplo do que aconteceu com outros esquemas de corrupção do País, o julgamento final dos réus será realizado depois de silenciado o clamor social. E, por isso mesmo, com um cenário de menor probabilidade de condenações de poderosos.

 

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