Folha de S. Paulo
O nanico PCO caiu na rede das investigações
da Polícia Federal sobre uso indevido de dinheiro público
Falta agora passar um pente-fino nos gastos
das grandes legendas com verbas dos fundos eleitoral e partidário
O nanico Partido
da Causa Operária (PCO) caiu
na rede da Polícia
Federal. O presidente e figura constante em eleições presidenciais,
Rui Costa Pimenta, foi alvo de busca e apreensão na operação Causa Própria,
cujo nome não poderia ser mais adequado.
Quando deputados e senadores aprovam matérias do interesse da corporação dizemos que legislam em causa própria. É o que fazem os partidos com as verbas públicas destinadas à sua sustentação.
Passaram a fazer com mais afinco e desmazelo
quando puderam contar, além
do fundo partidário, com o fundo eleitoral.
É dinheiro grosso, coisa na casa dos R$ 6
bilhões, somadas as duas fontes. Públicas, convém relembrar a todo instante a
fim de ressaltar a responsabilidade que deveria corresponder à administração de
tais recursos. O manejo impróprio da dinheirama à disposição dos partidos
—entidades de direito privado, diga-se, para registrar que, a rigor, não
deveriam ser sustentadas pelo Estado— não é novidade.
Existem, mas são raros os casos em que
a Justiça
Eleitoral aprova integralmente as contas dos partidos. Constantes
mesmo são os apontamentos de irregularidades, das mais leves às mais graves. Há
exemplos de desvios gritantes, como o uso do dinheiro para compra de imóveis,
aluguel de carros, pagamento de passagens, hospedagens e vários tipos de
despesas vedadas.
Os congressistas habitualmente livram suas
agremiações de desconfortos, aprovando anistias às punições. Tanto as regras
quanto o aparato de fiscalização são frouxos e lentos, mas, para torná-los
ainda mais indolentes, a Câmara aprovou, em maio deste ano, um novo regramento
que torna as legendas praticamente impunes no quesito multas e cria outras
facilidades.
O fato novo (com pouco destaque no
noticiário) na operação que alcançou o PCO é a entrada
do tema na esfera criminal. Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos para
ver se o pente-fino também será passado nas contas das grandes legendas.
Valeria a viagem e depressa, antes que aprovem a próxima anistia.

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