O Estado de S. Paulo
Com algumas exceções, os planos econômicos
que vêm sendo apresentados pelos principais candidatos à Presidência são
exagerados, vagos, com muitas promessas, contas que não fecham e pouca
viabilidade política.
Mas não chega a assustar que os
presidenciáveis escondam as “maldades” econômicas que vão precisar fazer em
2027. Ninguém se elege dizendo que vai retirar aumento real de aposentado. É
assim em toda eleição. E é bom o eleitor estar ciente.
O diagnóstico do ajuste fiscal brasileiro é conhecido. Os economistas responsáveis são unânimes em afirmar que seria importante cortar subsídios, cobrar mais impostos dos mais ricos (retomar a discussão dos lucros e dividendos), mexer na regra de reajuste do salário mínimo, que impacta a Previdência, ajustar os limites constitucionais de saúde e educação.
Também vai ser preciso mostrar muita força
política para retirar poder do Congresso e cortar emendas parlamentares, que
chegam a alarmantes R$ 60 bilhões. E, claro, começar a discutir uma nova
reforma da Previdência, ainda que a sociedade não esteja preparada. O tema
precisa entrar na pauta.
Não é suficiente contar com o crescimento da
economia para ajustar as contas. Essa agenda desenvolvimentista é antiga e não
funciona no Brasil. Alguns candidatos chegam a flertar com essa hipótese. Mas é
bom não ter ilusões.
Passadas as eleições, o detalhamento das
medidas de ajuste fiscal é urgente, e os coordenadores econômicos das campanhas
sabem disso. Não vai poder ser um ajuste gradual como sugerem alguns
candidatos. O próximo presidente vai precisar apresentar propostas de emendas à
Constituição (PECs) e projetos de lei que deem conta do recado logo no início
do mandato. O ônus político é enorme e só presidentes recém-ungidos podem ter
essa força.
A boa notícia é que a agenda fiscal
finalmente entrou no debate da campanha, que estava capturada por corrupção e
operações da Polícia Federal (PF) sobre o INSS e o Banco Master.
O problema brasileiro é grave. A dívida bruta
chega a R$ 10 trilhões, ou 82% do PIB. Desnecessário dizer que é insustentável.
A taxa de juros é de 14% ao ano, o que não permite investimentos e gera
quebradeira de empresas. Esse também é um assunto que passou a ser discutido
nas campanhas. Só que juro não se abaixa na marra. Só o ajuste fiscal é capaz
de resolver isso.
Até aqui, os investidores vêm tendo muita
paciência com o Brasil, à espera de quem vai surgir nas urnas em outubro. Se as
medidas não vierem após as eleições, vai ter efeitos no dólar e no preço dos
ativos.
Também seria bom fazer algo que os candidatos
têm evitado: indicar o próximo ministro da Fazenda. Dario Durigan vem falando
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ganhou certa confiança do
mercado. Daniella Marques, que responde por Flávio Bolsonaro (PL), é uma
técnica respeitada. Mas serão eles os comandantes da economia? •

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