domingo, 23 de agosto de 2026

Com Lulinha, chance de Flávio é ‘zero’? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

PSD e Caiado têm moeda de troca no segundo turno, mas tudo depende dos escândalos

Numa eleição apertada, a ser disputada até o último minuto, qualquer pontinho faz diferença e é aí que entram Gilberto Kassab e o PSD, que têm Ronaldo Caiado, o terceiro mais votado no 1.º turno, com 5% dos votos, que são uma boa moeda de troca para o segundo. Mas tudo depende dos escândalos.

Kassab, vice de Caiado, já declarou que Flávio Bolsonaro tem “chance zero” e que a “neutralidade” de PP, Republicanos e União Brasil favorece Lula. Como o PSD é, na prática, do Centrão, não seria estranho reforçar o apoio a Lula no 2.º turno.

Pelo Datafolha, Caiado tem 40% e Flávio, 43%, ante 47% de Lula no 2.º turno. Logo, Caiado já carrega os votos da direita e o que pesa para as negociações do PSD são os 5% do 1.º turno, que podem ir para Lula, Flávio ou nada.

Líder do agro, Caiado é antiLula desde criancinha e, como médico, não tem boa “química” com os Bolsonaro desde a pandemia. Portanto, os acertos ficam com Kassab, que costuma ter um pé em cada canoa e tende para a “neutralidade” pró-Lula.

Qualquer previsão, porém, esbarra nas campanhas e na água suja que brota dos escândalos. Se é vazamento ilegal ou não, é discurso dos candidatos. Para o eleitor, importa é o cheiro da água e de onde ela vem.

As pesquisas se mantêm estáveis, mas o quanto as “novidades” sobre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger podem tirar as chances de Flávio do “zero”? E qual é ainda o poder corrosivo das relações “fraternais” de Flávio e Daniel Vorcaro?

Com as devidas proporções, Luchsinger é uma Vorcaro do lobby, ambiciosa, sem escrúpulos nem limites, uma amiga dos poderosos que sonha alto: “ser Fábio” (vulgo Lulinha), ganhar “R$ 100 milhões por ano” e gastar na Suíça.

Vorcaro atirava a torto e à direita, Luchsinger mirou o então chefe de gabinete de Lula, o Marcola, com “empréstimos” (dinheirama criminosa, ou suspeita, é sempre “empréstimo”...), joias, boletos, cartão de crédito, carros zero. Não era de graça, o erário pagava.

Se a turma de Lulinha reclama dos vazamentos, a de Flávio bate na tecla de que não havia dinheiro público no “empréstimo” de Vorcaro, o preso mais famoso do momento. Se é assim, o que é que tem demais o contrato de R$ 130 milhões da família de Alexandre de Moraes com o mesmo Vorcaro?

Para o advogado Marco Aurélio de Carvalho, na GloboNews, Lulinha é uma vítima, pois “carrega o peso do sobrenome”. Bem... Se não carregasse, continuaria monitor de zoológico, assim como Flávio teria de se contentar com as rachadinhas na Alerj.

Para PSD e Kassab, isso tudo tanto fez, tanto faz. Não importam os sobrenomes, mas pesquisas e chances de vitória. No fim, é o de sempre: poder e dinheiro.

 

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