sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Com qualquer presidente, Congresso terá a faca e o queijo, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Lula se aproxima do centrão, mas poderá ser traído amanhã

Principais pautas só serão destravadas no Senado após as eleições

Em seus últimos movimentos, Lula se aproximou dos chefes do Congresso e, ao mesmo tempo, aumentou o tom de crítica às emendas parlamentares, propondo mudanças em sua execução. Uma coisa não combina com a outra. A não ser na lógica particular das campanhas eleitorais.

Após quatro anos de estresse com o grupo de partidos fisiológicos que comanda a Câmara e o Senado, o Planalto conseguiu uma trégua. Fez arranjos para ter juntos no palanque governistas e integrantes do centrão e influiu na decisão do grupo de adotar a neutralidade em relação à corrida presidencial, isolando a candidatura bolsonarista.

Para afastar qualquer possibilidade de não se reeleger na Paraíba, Hugo Motta queimou a largada e já declarou o voto em Lula —para surpresa de ninguém. A tendência é que outros deputados e senadores do bloco suprapartidário façam o mesmo, principalmente nos estados do Nordeste, onde o petista lidera as pesquisas com folga.

Com Davi Alcolumbre, a conversa é mais difícil. Pela segunda vez, em poucos dias, Lula se reuniu com o presidente do Senado, sonhando em destravar a PEC da Segurança, já aprovada na Câmara e que integra as polícias brasileiras para combater o crime organizado, e a PEC que prevê o fim da escala 6x1, de forte apelo popular.

Escorregadio, Alcolumbre diz que pode ser, mas só depois das eleições. Uma promessa vaga, da boca para fora e pouco confiável no momento. Tudo no Brasil hoje está à espera do resultado das urnas. Tampouco se pode garantir que, no segundo turno de uma eleição que promete ser apertada, a turma que ficou ao lado de Lula na primeira rodada e conseguiu se eleger não vá mudar de lado, surfando na onda do antipetismo. É a natureza do centrão.

No programa do governo Lula protocolado no TSE, consta o enfrentamento ao atual sistema de emendas parlamentares, que multiplicou o poder do Legislativo. O candidato, contudo, não explicou a maneira de combater o problema. É uma luta vã. Seja quem for o futuro presidente, o Congresso terá a faca e o queijo.

 

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