O Globo
A taxa de eleitores indecisos na pesquisa espontânea é maior nesta eleição do que na de 2022. Este ano, na pesquisa mais recente da Quaest, 51% dos eleitores se diziam indecisos antes da apresentação dos nomes dos candidatos. Na eleição de 2022, em agosto, os indecisos estavam em torno de 36%. A campanha começou mais fria. Mas há outra diferença, quando se comparam os detalhes das sondagens. Na última disputa, o eleitor de Jair Bolsonaro estava mais interessado nas eleições, agora é o eleitor de Lula que se mostra mais interessado.
As pesquisas em geral parecem trazer o mesmo
quadro de 2022. Uma corrida acirrada, o presidente Lula com uma vantagem no
Nordeste, entre as mulheres, os mais pobres e os mais velhos. O candidato
bolsonarista com vantagem grande no Sul e na dianteira no Sudeste. Mas a
comparação entre as duas eleições mostra as diferenças. O gráfico é da curva
dos indecisos nos dois pleitos. Em janeiro de 2022, havia o percentual que se
tem hoje de indecisos, um pouco mais de 50%. Em janeiro de 2026, o total de
indecisos era quase 70%.
O grau de interesse na eleição também mostra
uma grande diferença. Segundo Felipe Nunes, da Quaest, o eleitor de Jair
Bolsonaro tinha mais interesse na eleição do que o de Lula. Ele acha que isso
explica a menor diferença de votos entre os dois candidatos. O bolsonarista
compareceu mais à votação do que aqueles que diziam ter a intenção de votar em
Lula. Agora está sendo diferente.
Quando a pesquisa pergunta sobre o nível de
interesse nas eleições deste ano, 47% dos eleitores de Lula dizem que estão
muito interessados, e apenas 37% dos eleitores de Flávio Bolsonaro. Entre os
que indicam estar “pouco interessados”, 38% dizem votar no atual presidente, e
29% no senador. Entre os “nada interessados”, 26% em Lula e 24% em Flávio
Bolsonaro. Dos eleitores que votam em Lula, 77% dizem que o voto é definitivo,
entre os de Flávio, 70% são voto definitivo e 30% podem mudar.
Em 2022, o atual presidente construiu sua
vitória principalmente no Nordeste, com 70% dos votos válidos. Há analistas
avaliando que desta vez será diferente porque a intenção de votos estaria mais
fraca. Mas não é isso que mostra a pesquisa Quaest. Na última rodada, ele teve
61% das intenções de voto na região no segundo turno. Se for feita uma
simulação de votos válidos, ficaria em torno de 70%. Lula deve sair da região
com o mesmo patamar de votos.
Esta eleição começa mais fria e devagar, o
debate da Band foi derrubado pela ausência dos candidatos mais pontuados na
pesquisa e até Romeu Zema não compareceu. Seus estrategistas avaliaram que era
melhor concentrar na preparação para a sabatina do Jornal Nacional. Mesmo
assim, um fato já aconteceu. Os outros nomes que se apresentaram à direita como
alternativa a Flávio Bolsonaro, argumentando que tinham mais chance contra
Lula, não confirmaram isso nas pesquisas. O filho do ex-presidente Jair
Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, é ainda o mais competitivo.
Faltam seis semanas para as eleições, e as
próximas pesquisas podem surpreender, mas até agora pouca coisa mudou. O
presidente permanece na frente, apesar de a diferença nunca ter sido confortável.
A comparação do eleitor será entre o presidente que já governou o Brasil em
três mandatos e disputa um quarto período e um candidato que, na ausência de
qualquer credencial para a presidência, apresenta a de filho. O sobrenome não
foi suficiente para atrair o apoio dos partidos do Centrão, onde seu pai teve
cadeira cativa por 30 anos.
O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, faz
dormir até o seu candidato a vice, Gilberto Kassab. Romeu Zema, que abriu ontem
a série de entrevistas do Jornal Nacional, não vence a disputa presidencial nem
em Minas Gerais, que governou por dois mandatos. O Datafolha em Minas apontou
37% de intenções de voto em Lula, 31% em Flávio Bolsonaro e apenas 10% em Romeu
Zema.

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