terça-feira, 25 de agosto de 2026

Diferenças entre as duas eleições, por Míriam Leitão

O Globo

A taxa de eleitores indecisos na pesquisa espontânea é maior nesta eleição do que na de 2022. Este ano, na pesquisa mais recente da Quaest, 51% dos eleitores se diziam indecisos antes da apresentação dos nomes dos candidatos. Na eleição de 2022, em agosto, os indecisos estavam em torno de 36%. A campanha começou mais fria. Mas há outra diferença, quando se comparam os detalhes das sondagens. Na última disputa, o eleitor de Jair Bolsonaro estava mais interessado nas eleições, agora é o eleitor de Lula que se mostra mais interessado.

As pesquisas em geral parecem trazer o mesmo quadro de 2022. Uma corrida acirrada, o presidente Lula com uma vantagem no Nordeste, entre as mulheres, os mais pobres e os mais velhos. O candidato bolsonarista com vantagem grande no Sul e na dianteira no Sudeste. Mas a comparação entre as duas eleições mostra as diferenças. O gráfico é da curva dos indecisos nos dois pleitos. Em janeiro de 2022, havia o percentual que se tem hoje de indecisos, um pouco mais de 50%. Em janeiro de 2026, o total de indecisos era quase 70%.

O grau de interesse na eleição também mostra uma grande diferença. Segundo Felipe Nunes, da Quaest, o eleitor de Jair Bolsonaro tinha mais interesse na eleição do que o de Lula. Ele acha que isso explica a menor diferença de votos entre os dois candidatos. O bolsonarista compareceu mais à votação do que aqueles que diziam ter a intenção de votar em Lula. Agora está sendo diferente.

Quando a pesquisa pergunta sobre o nível de interesse nas eleições deste ano, 47% dos eleitores de Lula dizem que estão muito interessados, e apenas 37% dos eleitores de Flávio Bolsonaro. Entre os que indicam estar “pouco interessados”, 38% dizem votar no atual presidente, e 29% no senador. Entre os “nada interessados”, 26% em Lula e 24% em Flávio Bolsonaro. Dos eleitores que votam em Lula, 77% dizem que o voto é definitivo, entre os de Flávio, 70% são voto definitivo e 30% podem mudar.

Em 2022, o atual presidente construiu sua vitória principalmente no Nordeste, com 70% dos votos válidos. Há analistas avaliando que desta vez será diferente porque a intenção de votos estaria mais fraca. Mas não é isso que mostra a pesquisa Quaest. Na última rodada, ele teve 61% das intenções de voto na região no segundo turno. Se for feita uma simulação de votos válidos, ficaria em torno de 70%. Lula deve sair da região com o mesmo patamar de votos.

Esta eleição começa mais fria e devagar, o debate da Band foi derrubado pela ausência dos candidatos mais pontuados na pesquisa e até Romeu Zema não compareceu. Seus estrategistas avaliaram que era melhor concentrar na preparação para a sabatina do Jornal Nacional. Mesmo assim, um fato já aconteceu. Os outros nomes que se apresentaram à direita como alternativa a Flávio Bolsonaro, argumentando que tinham mais chance contra Lula, não confirmaram isso nas pesquisas. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, é ainda o mais competitivo.

Faltam seis semanas para as eleições, e as próximas pesquisas podem surpreender, mas até agora pouca coisa mudou. O presidente permanece na frente, apesar de a diferença nunca ter sido confortável. A comparação do eleitor será entre o presidente que já governou o Brasil em três mandatos e disputa um quarto período e um candidato que, na ausência de qualquer credencial para a presidência, apresenta a de filho. O sobrenome não foi suficiente para atrair o apoio dos partidos do Centrão, onde seu pai teve cadeira cativa por 30 anos.

O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, faz dormir até o seu candidato a vice, Gilberto Kassab. Romeu Zema, que abriu ontem a série de entrevistas do Jornal Nacional, não vence a disputa presidencial nem em Minas Gerais, que governou por dois mandatos. O Datafolha em Minas apontou 37% de intenções de voto em Lula, 31% em Flávio Bolsonaro e apenas 10% em Romeu Zema.

 

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