domingo, 16 de agosto de 2026

Mesmo se Flávio perder, direita Master deve ganhar todo o resto, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Como já amplamente demonstrado nesta coluna, caso foi o petrolão da direita

Público pode achar que Lulinha fazendo lobby na Saúde é comparável ao maior escândalo financeiro do Brasil

As forças políticas que roubaram com o Master, tentaram salvar o Master e receberam dinheiro do Master devem ser as grandes vencedoras da eleição deste ano.

Talvez não consigam eleger Flávio Bolsonaro presidente. Mas devem ganhar o resto. E, mesmo se Lula vencer, terá que fazer acordos com eles.

Como já amplamente demonstrado nesta coluna, o Banco Master foi o petrolão da direita. A prevalência de direitistas entre os envolvidos é esmagadora. A direita roubou muito mais com o Master, ganhou muito mais dinheiro do Master e tentou salvar o Master praticamente sozinha.

Se algum jornalista ou político de direita quiser discutir esses números em público, será um prazer.

Infelizmente, a democracia brasileira não tem sistema imunológico para lidar com esses fatos. Direitistas específicos podem ser denunciados e presos, mas ninguém com poder, inclusive na mídia, está disposto a denunciar a direita quando isso de fato ameaça a hegemonia conservadora no sistema político brasileiro.

E se a imprensa não fizer, quem fará? O Congresso, que é dominado pela direita porque fizemos nossa transição democrática com a classe política herdada da ditadura? O Judiciário, que tem gente grande envolvida com o Master e sabe que sua melhor chance de sobreviver é ajudar a direita a matar a investigação? Desde o impeachment de Dilma Rousseff sabemos que a direita tem mais poder para abafar escândalos do que a esquerda.

A direita não vai pagar preço nenhum por ter causado a maior fraude do sistema financeiro brasileiro. Os direitistas que perderem seus cargos por seu envolvimento com o Master devem ser substituídos por outros candidatos dos partidos que bancaram o Master.

O caso mais emblemático deve ser o Distrito Federal. A conta da operação bolsonarista para salvar o Master com o BRB mal começou a chegar. Há um risco real de Brasília ficar sem seringas nos hospitais e sem merenda nas escolas. Mesmo assim, os bolsonaristas do Distrito Federal devem conquistar as duas vagas para o Senado em disputa este ano.

O público brasileiro foi exposto a uma visão tão difusa dos culpados do Master que pode perfeitamente achar que Lulinha fazendo lobby por canabidiol no Ministério da Saúde é comparável ao que a direita fez durante o maior escândalo financeiro da história brasileira.

É possível que Augusto Lima, responsável pelo único braço do esquema Master ligado ao PT (a Bahia), faça uma delação premiada. Se acontecer, o público conhecerá mais detalhes sobre o único braço do esquema em que o PT está envolvido (a Bahia). Isso seria bom, se os outros braços do esquema, responsáveis por desvios incomparavelmente maiores, tivessem sido apresentados ao público com a associação correspondente à direita.

Sem essa informação, o público pode acabar associando o Master ao PT. Nesse cenário, a direita ganhará todos os cargos em disputa este ano como recompensa por ter cometido a maior fraude bancária de nossa história.

Como brasileiro de esquerda que defendeu a Lava Jato e passou anos pedindo uma autocrítica do PT, só posso dizer que me sinto feito de palhaço. São justamente os grandes justiceiros de 2016 que hoje mentem que o caso Master "não tem ideologia". Sim, estou falando de Moro e de Dallagnol. Mas não só deles.

 

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