Folha de S. Paulo
Como já amplamente demonstrado nesta coluna,
caso foi o petrolão da direita
Público pode achar que Lulinha fazendo lobby
na Saúde é comparável ao maior escândalo financeiro do Brasil
As forças políticas que roubaram com o
Master, tentaram salvar o Master e receberam dinheiro do Master devem ser as
grandes vencedoras da eleição deste ano.
Talvez não consigam eleger Flávio
Bolsonaro presidente. Mas devem ganhar o resto. E, mesmo
se Lula vencer,
terá que fazer acordos com eles.
Como já amplamente demonstrado
nesta coluna, o Banco Master foi
o petrolão da direita. A prevalência de direitistas entre os envolvidos é
esmagadora. A direita roubou muito mais com o Master, ganhou muito mais
dinheiro do Master e tentou salvar o Master praticamente sozinha.
Se algum jornalista ou político de direita quiser discutir esses números em público, será um prazer.
Infelizmente, a democracia brasileira não tem
sistema imunológico para lidar com esses fatos. Direitistas específicos podem
ser denunciados e presos, mas ninguém com poder, inclusive na mídia, está
disposto a denunciar a direita quando isso de fato ameaça a hegemonia
conservadora no sistema político brasileiro.
E se a imprensa não fizer, quem fará? O
Congresso, que é dominado pela direita porque fizemos nossa transição
democrática com a classe política herdada da ditadura? O Judiciário, que tem
gente grande envolvida com o Master e sabe que sua melhor chance de sobreviver
é ajudar a direita a matar a investigação? Desde o impeachment de Dilma
Rousseff sabemos que a direita tem mais poder para abafar
escândalos do que a esquerda.
A direita não vai pagar preço nenhum por ter
causado a maior fraude do sistema financeiro brasileiro. Os direitistas que
perderem seus cargos por seu envolvimento com o Master devem ser substituídos
por outros candidatos dos partidos que bancaram o Master.
O caso mais emblemático deve ser o Distrito
Federal. A conta da operação bolsonarista para salvar o
Master com o BRB mal começou a chegar. Há um risco real de
Brasília ficar sem seringas nos hospitais e sem merenda nas escolas. Mesmo
assim, os bolsonaristas do Distrito Federal devem conquistar as duas vagas para
o Senado em disputa este ano.
O público brasileiro foi exposto a uma visão
tão difusa dos culpados do Master que pode perfeitamente achar que Lulinha fazendo
lobby por canabidiol no Ministério da Saúde é comparável ao que a direita fez
durante o maior escândalo financeiro da história brasileira.
É possível que Augusto Lima,
responsável pelo único braço do esquema Master ligado ao PT (a Bahia), faça
uma delação premiada. Se acontecer, o público conhecerá mais detalhes sobre o
único braço do esquema em que o PT está envolvido (a Bahia). Isso seria bom, se
os outros braços do esquema, responsáveis por desvios incomparavelmente
maiores, tivessem sido apresentados ao público com a associação correspondente
à direita.
Sem essa informação, o público pode acabar
associando o Master ao PT. Nesse cenário, a direita ganhará todos os cargos em
disputa este ano como recompensa por ter cometido a maior fraude bancária de
nossa história.
Como brasileiro de esquerda que defendeu a
Lava Jato e passou anos pedindo uma autocrítica do PT, só posso dizer que me
sinto feito de palhaço. São justamente os grandes justiceiros de 2016 que hoje
mentem que o caso Master "não tem ideologia". Sim, estou falando de
Moro e de Dallagnol. Mas não só deles.

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