terça-feira, 25 de agosto de 2026

O cronista da minha devoção, por Ivan Alves Folho

Católico fervoroso, tendo São Francisco de Assis por santo de sua devoção, ele dedicou sua vida à Literatura. Cronista, poeta, homem de teatro, radialista e jornalista, trabalhou em órgãos de grande prestígio à época, como Fon-Fon, Dom Casmurro e Ilustração Brasileira (da qual foi diretor), Diretrizes e Para Todos, esta última, ligada ao Partido Comunista.

Aliás, foi em sua casa, à Rua Xavier da Silveira, no Rio de Janeiro, que foi redigido, pelo historiador Caio Prado Júnior, o programa da Aliança Nacional Libertadora (ANL), um dos movimentos precursores da luta contra o fascismo no mundo. Gaúcho de Porto Alegre, onde nasceu em 1888, viajou pela Europa durante dois anos, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, tendo conhecido bem a Itália, a Bélgica e a Inglaterra.

Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreira da Silva – ou mais simplesmente Álvaro Moreyra, como ele assinava – integrou, em 1959, a Academia Brasileira de Letras. Nela, ocupou a cadeira 21, de José do Patrocínio, chamada por ele de “a Cadeira de Liberdade”. Não por acaso, nasceu no ano da Abolição da escravatura.

Autor de Havia uma oliveira no jardim e As amargas, não..., faleceu no Rio de Janeiro, em 1964, ano da abolição da Liberdade: seu pertencimento à Academia evitou, apesar da idade avançada, que fosse preso pelos militares golpistas naquele mesmo ano. 

Álvaro Moreyra é o cronista da minha devoção. 

*Ivan Alves Filho, historiador.

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