Folha de S. Paulo
Há dias, sem pensar, reduzi a banana a
fláviobolsonaro; leitores protestaram com razão
Sugiro também o apagamento da ligação injusta
e involuntária da banana com Dudu Bananinha
Na quinta (30), cometi um ato de lesa-banana ao definir Flávio Bolsonaro como um político marca banana, por seus espasmos de filhinho do papai, choramingas e entreguista em campanha pela Presidência. Arrisquei que, se Flávio B. já é tão flácido como candidato, como seria no trono, posto que exige maturidade, firmeza e decisão? Ao mesmo tempo, deixei em aberto a possibilidade de ser isso o que a Faria Lima quer: um banana na Presidência, fácil de ser manipulado.
Leitores concordaram em massa, mas alguns
saíram em defesa da banana, lamentando vê-la rebaixada a fláviobolsonaro.
Admito que, ao escrever, hesitei —em outras ocasiões, ao me render à tradição
de comparar notórias figuras da política a serpentes, antas ou hienas, também
fui recriminado pela ofensa aos animais. Daí, a partir de agora, espero não
incorrer no erro e quero crer que o uso dessas menções injustas esteja no fim.
Um dia, nenhum animal será citado para definir certos humanos.
E tampouco a banana. O que devemos a ela como
fonte de prazer, de sobrevivência e de energia nunca poderá ser pago. Prata,
d’água ou da terra, crua, cozida ou em calda, é o que mantém muitos brasileiros
de pé, um dos quais eu —não há dia em que não mande pelo menos uma para dentro.
O respeito pela banana deverá eliminar também o verbo "embananar",
sentir-se confuso, sem ação, e o gesto de "dar uma banana", dar com a
mão no covo do braço a fim de mandar alguém simbolicamente para tal lugar. Mais
respeito, portanto, com a banana.
Para desgraça da banana, ela já está ligada à
família Bolsonaro pela alcunha de Eduardo, Dudu Bananinha, irmão de Flávio B., não se sabe bem por quê.
Em nome da banana, sugiro que seja removida. Eduardo Bolsonaro e seu repelente
servo Paulo Figueiredo dispensam analogias —basta ler ou ouvir o que zurram.
Epa! —nada também de atribuir-lhes a voz de nossos irmãos jumentos.
Donde retiro a palavra banana para
classificar Flávio B., embora ele se delicie em operar no produto resultante da
digestão da dita banana.

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