terça-feira, 22 de setembro de 2026

Candidato bolsonarista finge que Cláudio Castro não existe, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Campanha de Douglas Ruas aposta na omissão do passado e na memória curta do eleitor

Infiltração do crime organizado nas estruturas de poder é resistente no Rio de Janeiro

Desvincular-se ou esconder antigos aliados e chefes políticos é um truque das campanhas eleitorais que apostam na omissão do passado. No Rio de Janeiro, a amnésia é geral.

Candidato bolsonarista ao Palácio Guanabara, Douglas Ruas praticamente apagou do currículo os dois anos à frente da Secretaria de Cidades, investigada pelo aumento de R$ 45 milhões no valor de um contrato, o dobro do limite legal. Ruas dá a impressão de sequer ter conhecido Cláudio Castro, que renunciou para não ser cassado e enfrenta acusações de corrupção e desvio de dinheiro, com a Polícia Federal batendo à sua porta quase toda semana.

Ruas usa de ironia ao avaliar a gestão de Cláudio Castro. Segundo ele, a grande realização do ex-governador foi a criação do programa Limpa Rio, para drenagens e prevenção de enchentes, do qual ninguém ouviu falar ou viu os resultados.

Como bom representante da extrema direita, o ex-policial defende teto de gastos para equilibrar as contas públicas —o que o governador interino Ricardo Couto conseguiu fazer em apenas seis meses, enxugando a máquina pública e afastando os conglomerados do crime que operam na fronteira da legalidade.

Ruas é mais um que promete endurecer o combate à violência. Mas não toca no cerne da questão. A infiltração do crime organizado nas estruturas de poder, que cobra um alto preço à economia fluminense: R$ 31 bilhões por ano, ou 2,3% do PIB, segundo relatório da Firjan. A lista de corruptores é democrática. Vai do empresário foragido Ricardo Magro —apontado como maior sonegador de impostos do país— ao bicheiro Adilsinho, o mais sanguinário da nova geração.

Os repórteres Igor Mello e Flávio VM Costa revelaram a análise das planilhas de Adilsinho apreendidas na Operação Unha e Carne, da PF. Elas sugerem pagamentos para 61 pessoas, a maioria políticos. Os principais são aliados da família Bolsonaro: Cláudio Castro (R$ 3,63 milhões), Rodrigo Bacellar (R$ 5,43 milhões), Hélio Lopes (R$ 323,2 mil), Alexandre Ramagem (R$ 91,8 mil).

 

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