quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Como seria um presidente amigo de miliciano? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Flávio negociou liberação de emendas com miliciano envolvido no assassinato de Marielle

Imagine se Flávio decidir usar o Planalto para beneficiar amigos de longa data

Se ganhar a eleição para presidente da República —como tem chances reais de fazê-lo—, Flávio Bolsonaro seria o mais próximo que já tivemos de um chefe do Executivo federal com laços milicianos. Uso aqui milícia não como figura de linguagem, mas literalmente: em sua trajetória, Flávio Bolsonaro tem mantido relação direta com integrantes de grupos armados que usam de coação com discurso moralizante para aferir lucro individual por meio do uso da violência e outros negócios escusos.

Como seria, portanto, um presidente da República amigo de miliciano no mais alto cargo? Primeiro, um presidente amigo de miliciano repassaria dinheiro para seus amigos milicianos. Não seria uma novidade. Como revelado nesta segunda (21) em O Estado de S. Paulo, Flávio destinou quase R$ 200 mil a um projeto na área de influência dos mandantes da morte de Marielle Franco, tendo negociado a liberação de emendas com miliciano envolvido no assassinato da vereadora.

Segundo, um presidente amigo de miliciano faria de tudo para esconder o dinheiro que milicianos lavarem. Não seria novidade, pois foi o que seu pai fez. O Bolsonaro pai cortou a verba do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão que justamente identifica movimentações suspeitas de bandidos como milicianos e afins. Fica no ar a dúvida de por que os Bolsonaros querem dificultar que se monitore o dinheiro do crime, inclusive da milícia.

Terceiro, um presidente amigo de miliciano empregaria alguns deles no próprio Estado. Não seria novidade. Como deputado estadual, Flávio empregou a mãe e a mulher do ex-policial militar Adriano da Nóbrega, morto em 2020, acusado de comandar a maior milícia do Rio de Janeiro. O PM não era um desconhecido. Flávio homenageou duas vezes o ex-policial miliciano na Assembleia do Rio; em 2003, por sua "dedicação, brilhantismo e galhardia".

Se o clã Bolsonaro logrou empregar miliciano e repassar dinheiro para miliciano, dificultando seu monitoramento, imagine se Flávio tiver a chave do Palácio do Planalto e decidir usá-la para beneficiar amigos de longa data.

 

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