Correio Braziliense
A mudança de cenário teve impacto estratégia
de reeleição de Lula, abalada pelas novas contingências. A campanha governista
ainda está sem rumo
A crise do Supremo Tribunal Federal, que está longe de acabar, tornou-se o centro do debate eleitoral. A divisão entre os ministros é apontada pelos candidatos como prova da partidarização da Corte. Ontem, decisões de Flávio Dino deslocaram o foco do governo, que vinha sendo pressionado pelas revelações sobre Alexandre de Moraes e o Banco Master, para o principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, atingido politicamente pelas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Operação Make Up, autorizada por Dino, cumpriu 49 mandados de busca e
apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os
alvos estão o deputado Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura de
Bolsonaro e produtor executivo do filme, e a empresária Karina Gama,
responsável pela produção. A investigação apura a destinação de R$ 2 milhões em
emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora.
Auditorias da Controladoria-Geral da União e diligências da Polícia Federal
encontraram indícios de documentos produzidos posteriormente para conferir
aparência de regularidade a contratações já realizadas. Dino sustentou haver
indícios de “uma única organização criminosa, estruturada para captar,
disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”, na qual Mário
Frias figuraria como agente central. Também mencionou atos possivelmente
interligados ao Primeiro Comando da Capital, hipótese que reforçaria a
competência federal e o caráter interestadual das apurações. Os envolvidos
negam irregularidades.
A ofensiva judicial mudou o rumo da crise. Até então, o maior desgaste recaía
sobre o governo Lula, em razão das suspeitas envolvendo Moraes, o banqueiro
Daniel Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República e a cúpula da Polícia
Federal. O caso Master alimentava a narrativa de que autoridades próximas ao
governo estariam tentando ocultar relações constrangedoras. Com a Operação Make
Up, Flávio Bolsonaro e o PL passaram para a defensiva. Entretanto, aprofundou ainda
mais o envolvimento do Supremo no processo eleitoral. O outro lado da moeda é o
STF ser visto como um comitê eleitoral.
Flávio acusa Dino de promover uma “tentativa de interferência política” nas
eleições. “Não tem um centavo de dinheiro público”, afirmou, embora a
investigação examine justamente se recursos originários de emendas foram
desviados para a produção do filme. O candidato aproveitou para antecipar o
perfil de suas futuras indicações ao Supremo: prometeu nomear ministros
contrários ao aborto e às drogas e alinhados às pautas conservadoras.
Em vez de defender critérios de independência, reputação jurídica e compromisso
constitucional, Flávio descreveu as futuras vagas no STF como instrumento para
alterar sua orientação ideológica. E procura apresentar as investigações como
parte de uma operação política destinada a favorecer Lula. Com isso, a Corte já
não aparece apenas como árbitro das eleições, mas como tema, protagonista e
campo de batalha das eleições.
Todos contra um
Ronaldo Caiado também endureceu o discurso.
Classificou a crise como uma “cortina de fumaça” que beneficiaria Lula e
Flávio, candidatos que, segundo ele, estariam “contaminados pela mesma
corrupção”. Caiado chamou de “aberração” a decisão de Dino que reintegrou o
diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afastado anteriormente por André
Mendonça. E elogiou Edson Fachin por tentar reorganizar os processos e retirar
Moraes de investigações nas quais sua imparcialidade passou a ser questionada.
O candidato do PSD anunciou que pretende indicar quatro mulheres para o
Supremo, começando pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge. A
proposta transforma as futuras nomeações para a Corte em promessa eleitoral.
Romeu Zema adotou tom mais agressivo. Depois do cancelamento de um
pronunciamento de Moraes, declarou que o ministro estava “fugindo da raia” e
acrescentou: “Quem não deve, não teme”. Seu vice, Eduardo Girão, defendeu que
“tudo venha à tona”. A chapa do Novo convocou uma manifestação pelo impeachment
de Moraes, do procurador-geral Paulo Gonet, de Andrei Rodrigues, do presidente
do Congresso, Davi Alcolumbre, e do próprio Lula. A crise do Supremo virou
plataforma de campanha.
O PT, por sua vez, tenta evitar que o desgaste da Corte contamine Lula. A
Executiva do partido decidiu defender o levantamento do sigilo das
investigações, avalia que os vazamentos seletivos podem interferir na igualdade
entre os candidatos. Também incorporou ao debate a reforma do Judiciário, com
mandatos para ministros dos tribunais superiores e ampliação do CNJ e do CNMP,
com maior participação da sociedade civil.
Lula já havia defendido mandatos para integrantes das cortes, e a proposta agora tende a ocupar espaço no programa eleitoral. A mudança de cenário teve impacto direto na estratégia de reeleição de Lula, profundamente abalada pelas novas contingências. A campanha governista ainda está sem rumo.

Cadê o Lulinha que até agora não veio dar nenhuma satisfação dos seus contatos nebulosos
ResponderExcluirEm 19 anos sempre Aparecendo escândalos de corrupção nunca prestou nenhum depoimento o papai da sempre um jeito de proteger o filhinho