sábado, 19 de setembro de 2026

Lula vai para o tudo ou nada, por Thaís Oyama

O Globo

Presidente pode — e vai — apertar todos os botões a seu alcance, numa eleição em que um fio de cabelo pode separar o vencedor do derrotado

Nesta eleição em que — entra pesquisa, sai pesquisa — os favoritos na corrida presidencial continuam cabeça a cabeça, dois movimentos podem romper esse equilíbrio: um tombo do desafiante Flávio Bolsonaro ou uma recuperação do incumbente Lula. O presidente apostou no segundo ao apertar o botão que Jair Bolsonaro já havia usado em 2022 — o reajuste do principal benefício social do governo, desta vez anunciado a 17 dias da eleição.

Lula, como sabem seus marqueteiros, arrisca-se a ter ganho apenas marginal com a medida, que acrescentará R$ 22,7 bilhões às despesas em 2027, a ser acomodados na marra no Orçamento, quem quer que vença. A maior parte dos beneficiários do Bolsa Família (53%) já vota no presidente. São os independentes que podem desequilibrar a balança. Mas esse segmento está concentrado na faixa que ganha entre 2 e 5 salários mínimos — fora, portanto, do alcance do benefício.

Ocorre que, como detentor da máquina, Lula pode — e vai — apertar todos os botões a seu alcance, numa eleição em que um fio de cabelo pode separar o vencedor do derrotado. De que lado ficará esse fio, dizem pesquisadores, talvez só fique claro a uma semana da eleição. É quando os indecisos terão de fazer suas escolhas, e muitos dos já decididos poderão revê-las. Quem não gosta de Lula, mas rejeita ainda mais seu adversário, pode dar ao petista um voto resignado. Quem cogitava votar em branco ou anular pode escolher o que considera o menor dos males. Quem hoje prefere Ronaldo Caiado pode migrar para Flávio para impedir a vitória de Lula. Nessa reta final, menos que o entusiasmo por um candidato, tende a pesar o medo da vitória do outro.

Sobre o STF

Gilmar Mendes e André Mendonça, não contentes em se ofender e se acusar de forma presencial, decidiram na quinta-feira continuar a briga nas redes sociais e por meio de nota pública. Diante disso, Edson Fachin suspendeu a sessão plenária — a terceira cancelada desde o agravamento da crise no Supremo. Seus ministros já não conseguem debater. Não conseguem ficar no mesmo ambiente. Em suma, não conseguem trabalhar.

O que resta do STF?

Para responder à pergunta, imagine-se que uma das contestações jurídicas ao reajuste do Bolsa Família fosse parar no Supremo, como ocorreu com a contestação à emenda que permitiu a Bolsonaro ampliar o Auxílio Brasil. Nesse caso, qualquer que fosse a decisão dos ministros — para derrubar o aumento ou mantê-lo —, como se imagina que seria recebida pela maioria dos brasileiros? Como aplicação da Constituição por ministros íntegros e imparciais? Ou como vitória de magistrados do “grupo de Lula” ou do “grupo de Flávio”? Ou, pior, como produto de um acordo espúrio de parte do Supremo com um dos lados? A dificuldade de acreditar na primeira resposta dá a medida do que se tornou o STF.

Antes o prejuízo ficasse restrito a ele. A perda de credibilidade da mais alta Corte do país abala um fundamento da vida civilizada: a confiança em que os conflitos serão resolvidos pela lei, não pela força. É essa confiança que leva alguém a recorrer à Justiça quando o vizinho avança o muro sobre seu terreno, em vez de partir para os sopapos. É também o que estimula uma empresa a investir no Brasil, na expectativa de que contratos serão respeitados e disputas resolvidas segundo regras, não conveniências. No topo do Poder Judiciário, o STF pode fortalecer essa confiança ou corroê-la em cascata. No último caso, a Justiça conserva o poder de decidir, mas perde a autoridade que sustenta a aceitação de suas decisões. A isso se chama crise de legitimidade — agora agravada pelas revelações sobre Kassio Nunes Marques e pelas antigas suspeitas sobre Dias Toffoli, mas cujo epicentro, convém não perder de vista, permanece nas gritantes suspeitas sobre Alexandre de Moraes e na resistência de seus pares a investigá-las.

 

Um comentário:

  1. Ainda tem o Lulinha que está escondido finge que nada aconteceu
    Envolvido até o pescoço na corrupção do governo usava seu nome para transações escusas nos ministérios
    Até agora não prestou depoimento nenhum Lula, o bom papai, está protegendo de todas as formas
    Fora Lula

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