O Globo
Presidente pode — e vai — apertar todos os
botões a seu alcance, numa eleição em que um fio de cabelo pode separar o
vencedor do derrotado
Nesta eleição em que — entra pesquisa, sai
pesquisa — os favoritos na corrida presidencial continuam cabeça a cabeça, dois
movimentos podem romper esse equilíbrio: um tombo do desafiante Flávio
Bolsonaro ou uma recuperação do incumbente Lula. O presidente apostou no
segundo ao apertar o botão que Jair Bolsonaro já havia usado em 2022 — o reajuste
do principal benefício social do governo, desta vez anunciado a 17 dias da
eleição.
Lula, como sabem seus marqueteiros, arrisca-se a ter ganho apenas marginal com a medida, que acrescentará R$ 22,7 bilhões às despesas em 2027, a ser acomodados na marra no Orçamento, quem quer que vença. A maior parte dos beneficiários do Bolsa Família (53%) já vota no presidente. São os independentes que podem desequilibrar a balança. Mas esse segmento está concentrado na faixa que ganha entre 2 e 5 salários mínimos — fora, portanto, do alcance do benefício.
Ocorre que, como detentor da máquina, Lula
pode — e vai — apertar todos os botões a seu alcance, numa eleição em que um
fio de cabelo pode separar o vencedor do derrotado. De que lado ficará esse
fio, dizem pesquisadores, talvez só fique claro a uma semana da eleição. É
quando os indecisos terão de fazer suas escolhas, e muitos dos já decididos
poderão revê-las. Quem não gosta de Lula, mas rejeita ainda mais seu
adversário, pode dar ao petista um voto resignado. Quem cogitava votar em
branco ou anular pode escolher o que considera o menor dos males. Quem hoje
prefere Ronaldo Caiado pode migrar para Flávio para impedir a vitória de Lula.
Nessa reta final, menos que o entusiasmo por um candidato, tende a pesar o medo
da vitória do outro.
Sobre o STF
Gilmar Mendes e André Mendonça, não contentes
em se ofender e se acusar de forma presencial, decidiram na quinta-feira
continuar a briga nas redes sociais e por meio de nota pública. Diante disso,
Edson Fachin suspendeu a sessão plenária — a terceira cancelada desde o
agravamento da crise no Supremo. Seus ministros já não conseguem debater. Não
conseguem ficar no mesmo ambiente. Em suma, não conseguem trabalhar.
O que resta do STF?
Para responder à pergunta, imagine-se que uma
das contestações jurídicas ao reajuste do Bolsa Família fosse parar no Supremo,
como ocorreu com a contestação à emenda que permitiu a Bolsonaro ampliar o
Auxílio Brasil. Nesse caso, qualquer que fosse a decisão dos ministros — para
derrubar o aumento ou mantê-lo —, como se imagina que seria recebida pela
maioria dos brasileiros? Como aplicação da Constituição por ministros íntegros
e imparciais? Ou como vitória de magistrados do “grupo de Lula” ou do “grupo de
Flávio”? Ou, pior, como produto de um acordo espúrio de parte do Supremo com um
dos lados? A dificuldade de acreditar na primeira resposta dá a medida do que
se tornou o STF.
Antes o prejuízo ficasse restrito a ele. A
perda de credibilidade da mais alta Corte do país abala um fundamento da vida
civilizada: a confiança em que os conflitos serão resolvidos pela lei, não pela
força. É essa confiança que leva alguém a recorrer à Justiça quando o vizinho
avança o muro sobre seu terreno, em vez de partir para os sopapos. É também o
que estimula uma empresa a investir no Brasil, na expectativa de que contratos
serão respeitados e disputas resolvidas segundo regras, não conveniências. No
topo do Poder Judiciário, o STF pode fortalecer essa confiança ou corroê-la em
cascata. No último caso, a Justiça conserva o poder de decidir, mas perde a
autoridade que sustenta a aceitação de suas decisões. A isso se chama crise de
legitimidade — agora agravada pelas revelações sobre Kassio Nunes Marques e
pelas antigas suspeitas sobre Dias Toffoli, mas cujo epicentro, convém não
perder de vista, permanece nas gritantes suspeitas sobre Alexandre de Moraes e
na resistência de seus pares a investigá-las.

Um comentário:
Ainda tem o Lulinha que está escondido finge que nada aconteceu
Envolvido até o pescoço na corrupção do governo usava seu nome para transações escusas nos ministérios
Até agora não prestou depoimento nenhum Lula, o bom papai, está protegendo de todas as formas
Fora Lula
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