sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Vorcaro ri sozinho e lucra com crise, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Como os líderes do PCC e CV, Vorcaro mantém seu poder na prisão e lucra com a crise institucional

Assim como os líderes do PCC e do CV mantêm comando sobre as facções, mesmo presos em penitenciárias de alta segurança, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sustenta seu poder destrutivo contra as instituições, mesmo depois de meses trancafiado na Papudinha, em Brasília.

Tal como cooptou figuras centrais de Legislativo, Judiciário e Executivo quando era biliardário e estava solto, Vorcaro continua sendo personagem-chave na guerra que sacode a capital da República, com ação calculada para jogar os ministros do Supremo uns contra os outros e a Polícia Federal e a PGR no meio da fogueira.

De burro, Vorcaro não tem nada. Ele é estratégico e tira partido de um ambiente institucional poluído e repugnante, em que Alexandre de Moraes, reconhecido como aliado de Lula, está no fundo de um poço sem volta, e André Mendonça, admitido como aliado dos Bolsonaro, é quem dá as cartas no escândalo Master no Supremo.

Com Flávio Bolsonaro diretamente envolvido, Vorcaro age para puxar o governo Lula junto e reforçar a percepção popular de que “não sobra ninguém”, o que favorece “acordões”, dificulta soluções, condenações e prisões definitivas. O melhor dos mundos para um criminoso como o ex-banqueiro.

O PGR Paulo Gonet entra na história como da “turma do Gilmar Mendes” e aliado (ou advogado?) de Moraes, mas também na situação constrangedora de autodefesa. Afinal, é mais um dos “amigos” que gosta, e desfruta, dos charutos e do uísque de Vorcaro. Qualquer decisão que tome no caso seria usada contra ele, como foi e continuará sendo.

Vorcaro tenta produzir o mesmo efeito contra o delegado Andrei Rodrigues, que comanda a PF, instituição mais respeitada nessa confusão toda. No dia em que deveria depor à PF, o ex-banqueiro escapuliu e foi escondido para o gabinete de Mendonça no STF, para jogar insinuações e dizer que tem “relação cordial” com o delegado.

Não foram só Gonet e Andrei Rodrigues, porém, que se encontraram com Vorcaro, mas o próprio Mendonça. Mesmo que não haja nada demais nesse encontro, a revelação reforça a triste e avassaladora percepção nacional de que “todos são iguais”.

Em nota, o Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) elogia a quebra de sigilo das investigações sobre Moraes, mas pedindo que Mendonça “quebre o sigilo igualmente dos casos INSS e Dark Horse”, inclusive para evitar impacto nas eleições.

O País exige transparência e igualdade para o caso de Moraes, Lulinha e Flávio e espera que tanto Gonet, Rodrigues e o próprio Mendonça expliquem, sem tergiversar, qual o grau de relação com Vorcaro – o único ser no País e no planeta que se beneficia da tragédia institucional.

 

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