quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Xandão se torna tóxico para Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Presidente vai defender investigação, e Flávio tem agora um mote para o ato do 7 de Setembro

Os diálogos que vieram à tona entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, causaram extrema preocupação na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas foram reveladas pelo Estadão.

Desta vez, a gravidade do relatório da Polícia Federal detalhando mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro é tanta que o comitê de Lula ainda está à procura de uma estratégia para se afastar da crise. Agora, a guerra fratricida nas fileiras do STF ameaça explodir na Praça dos Três Poderes e até paralisar votações de interesse do governo no Congresso.

Dizer que quem tem de prestar contas sobre a relação com Vorcaro é o candidato do PL, Flávio Bolsonaro – uma vez que até hoje não se sabe onde foi parar o dinheiro enviado pelo banqueiro para financiar o filme Dark Horse –, não é suficiente. Muito menos observar que o ministro do STF André Mendonça – antagonista de Xandão – atua com dois pesos e duas medidas por ter sido indicado para a Corte por Jair Bolsonaro.

A partir de agora, Moraes e o STF viraram o principal assunto da disputa eleitoral. Aliás, nada mais conveniente para Flávio do que o surgimento dessa troca de mensagens às vésperas do ato convocado por ele para 7 de setembro, na Avenida Paulista.

Embora o escândalo não se refira a Lula, serve de munição para Flávio e fortalece a defesa do impeachment de ministros do STF. Mas como a campanha de Lula vai reagir ao ataque frontal a Moraes, o relator das investigações que resultaram na condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe no 8 de Janeiro?

“Vale para o STF o que vale para todos. Se cometeu um crime, tem que ser investigado e tem que ser punido. Ninguém está acima da lei”, disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Na prática, Boulos adotou o mesmo discurso que Lula tem empregado em relação a seu próprio filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência no governo. Não quis, porém, jogar Moraes na fogueira. “Eu não sou investigador da PF, nem procurador de Justiça”, disse ele.

Lula chegou a se distanciar de Moraes, seu antigo aliado, após saber que o ministro atuou para barrar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira no STF. Tudo voltou a ser só sorrisos, porém, quando Moraes foi anfitrião de um jantar, em agosto, para reaproximar Lula do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A crise atual tem como agravante uma queda de braço entre Mendonça, o algoz de Moraes, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Resta saber o potencial de destruição dessa guerra.

 

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