O Estado de S. Paulo
Populismo de campanha vira tesouraço depois, mas Lula e Flávio escondem o jogo
Depois de confirmar que debate não é seu
forte, como mostrou desde 1989 em todas as sete campanhas presidenciais que
disputou, o presidente Lula manteve sua aposta nos anúncios populistas para
tentar virar a eleição até o próximo domingo. O “vale-tudo” corre solto na sua
campanha.
O desafio para que ele e Flávio Bolsonaro
abram suas contas bancárias e a promessa de entregar os seus dados e de seus
filhos ao TSE, ainda hoje, fazem parte do jogo. Mas antecipar o pagamento do
Bolsa Família, a dias da eleição, não faz.
É o que se chama de “forçação de barra”, o uso da Presidência e dos recursos públicos para, inequivocamente, comprar votos e minimizar a abstenção, empurrando eleitores de baixa renda para as urnas no domingo.
A maior marca do governo neste 2026 é a
gastança desenfreada que Lula assume sem o menor pudor, armando para o próximo
presidente, seja Flávio, seja ele próprio, o que chamou de “herança maldita”,
tanto ao suceder a Fernando Henrique quanto a Jair Bolsonaro.
É um anúncio atrás do outro, somando bilhões
de reais de impacto no Orçamento por ano, num ambiente já de crise fiscal
evidente, que a grande massa de eleitores não entende devidamente, mas
empresários, economistas e os mais escolarizados compreendem, sim, e sabem no
que dá.
Lula deu aumento real do Bolsa Família a dias
do primeiro turno, antecipou o pagamento às vésperas do segundo e despejou
dinheiro nos MEIs (microempreendedores individuais). E não só, mas a eleição
passa e a conta fica. O discurso cor-de-rosa da campanha é jogado no lixo e vem
a tesoura.
Sempre no alvo estão as receitas
constitucionais com saúde e educação, aliás, temas fundamentais num país tão
desigual, mas escandalosamente ignorados numa campanha em que o importante é
quem ataca mais, mente mais e tem mais rejeição.
Lula não admitiu nem discutiu os graves
problemas da economia e Flávio cria um mundo da fantasia, com um SUS padrão
Einstein e um ministério com nome de filme infantil: da Prosperidade. Nada
disso tem um pé na realidade.
Mais realista é a candidata a ministra da
Economia Daniella Marques, que, ao citar a Argentina de Milei como referência,
estragou o filme de ficção e entregou o jogo. Basta pesquisar como está a
Argentina, não no discurso oficial, mas na vida real, no cotidiano.
Lula deixa a dívida, mas não se compromete
com soluções, o que remete a um 2027 de tesouras e tesouraços, ganhe quem
ganhar. A diferença é que áreas e setores da sociedade serão mais atingidos ou
mais poupados. Nisso, a comparação de trajetórias e visões de mundo conta um
bocado.

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