O Globo
Após devassa em esquemas de corrupção, PL
volta ao Palácio Guanabara com Douglas Ruas
Depois de ter cinco governadores presos e
dois cassados, o Rio de Janeiro terá um novo governador investigado
antes mesmo de tomar posse.
Ao anular os votos de Anthony Garotinho, o Tribunal Superior Eleitoral abriu caminho para declarar a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno. O bolsonarista é alvo de procedimento que apura supostas práticas de peculato, lavagem de dinheiro, fraudes licitatórias e organização criminosa.
A investigação foi aberta em julho pelo
procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, conforme noticiou o
colunista Lauro Jardim. Sua origem foi uma denúncia de conflito de interesses e
enriquecimento ilícito em obras do governo estadual, no período em que Ruas era
secretário da gestão Cláudio Castro.
O rolo ainda envolve a compra de material de
construção numa pedreira do deputado Altineu Côrtes, presidente estadual do PL.
Todos negam irregularidades, e o governador eleito diz acreditar que o caso
será arquivado por falta de provas.
Deputado estadual de primeiro mandato, Ruas
era um ilustre desconhecido da maioria dos fluminenses até poucos meses atrás.
Foi instado a concorrer ao governo quando o candidato que apoiava, Rodrigo
Bacellar, foi preso sob
acusação de atuar em favor do Comando Vermelho. O PL também teve que
trocar os candidatos ao Senado por motivos de força maior. Márcio Canella foi
preso com um fuzil no carro, e Castro passou a receber visitas regulares da
Polícia Federal.
Em entrevista
à CBN, o marqueteiro de Ruas disse ter investido numa fórmula
associada ao PT: “construir a narrativa a partir da periferia” e apresentar o
cliente como defensor dos “mais humildes”. Pode ser, mas a mágica não
funcionaria sem colar a imagem do candidato à da família Bolsonaro, num estado
cada vez mais inclinado à direita.
O desfecho da eleição parece confirmar a sina
do Rio após seis meses de gestão interina de Ricardo Couto. Sem rabo preso com
a baixa política fluminense, o desembargador promoveu uma devassa no Palácio
Guanabara. Desmontou esquemas de corrupção, reorganizou a máquina e demitiu
mais de 7 mil fantasmas. Por decisão do eleitor, o grupo responsável pelo
descalabro voltará ao poder em janeiro.

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